Os Estados Unidos abriram uma unidade regional antidrogas na Argentina, anunciou nesta semana o Ministério da Segurança argentino. O governo Trump vai investir US$ 7,5 milhões na iniciativa, que cita a expansão do PCC e do Comando Vermelho na região como um dos motivos.

A unidade é uma base regional do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL), dos Estados Unidos, sediada na Argentina.

Segundo o Ministério da Segurança argentino, o aporte total do governo americano para a cooperação contra o narcotráfico na região chega a US$ 13,35 milhões.

O objetivo, segundo o governo de Javier Milei, é desenvolver projetos conjuntos e adquirir equipamentos para fortalecer operações contra o tráfico de drogas e facções criminosas. A iniciativa multiplica por dez os recursos de cooperação que já existiam entre os dois países.

Por que o PCC e o Comando Vermelho entraram na conta

As facções brasileiras aparecem entre os motivos citados pelo governo argentino porque expandiram operações para fora do Brasil, ao lado da venezuelana Tren de Aragua. Washington já havia incluído as duas, em setembro, numa lista de organizações classificadas como narcoterroristas por 15 países das Américas.

Pela primeira vez vamos poder mapear as organizações criminosas que atuam na América do Sul, entender suas dinâmicas e padrões de tráfico. O que não se mede não se combate.

A frase é do secretário argentino de Luta contra o Narcotráfico e o Crime Organizado, Martín Verrier. O Brasil não assinou a declaração de setembro nem integra a nova unidade.

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O presidente Lula afirmou, em 18 de setembro, que o país não vai adotar a classificação dos EUA de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, mesmo com os dois grupos já designados individualmente pelo governo americano.

A posição brasileira também apareceu quando o país ficou de fora do Escudo das Américas, a aliança de segurança que reúne os vizinhos alinhados a Washington contra o crime organizado na região.

O Brasil é o país de origem das duas facções mais citadas pelos EUA nessa articulação, mas ficou fora tanto da lista de narcoterroristas quanto do Escudo das Américas.

O movimento na Argentina acompanha outras ações dos EUA na região. Na terça-feira (6), Washington enviou drones à Colômbia e ao Equador, dentro da mesma estratégia do Escudo das Américas contra o narcotráfico.

O que acontece agora

Segundo o governo argentino, a nova estrutura deve começar atuando no Cone Sul, com possibilidade de expansão a outros países da região depois. Não há data divulgada para essa segunda fase.