O Itamaraty classificou nesta terça-feira (20) declarações do presidente argentino Javier Milei contra a urna eletrônica como nova tentativa de ingerência externa na eleição brasileira. O Brasil chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas, a cinco dias do segundo turno, neste domingo (25).

Milei republicou nas redes sociais um vídeo que associa uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao machismo. Na legenda, escreveu esperar que "o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição... esquerdista ladrão".

O argentino também questionou a segurança das urnas eletrônicas e criticou o Judiciário brasileiro.

O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições.

A frase está na nota do Itamaraty, que chamou a postura de Milei de "antidemocrática" e "desequilibrada", incompatível com o papel de chefe de Estado de um país amigo.

O texto também afirma que o argentino "reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado", numa referência indireta a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A nova e inaceitável tentativa de ingerência externa, como definiu o Itamaraty, levou o governo brasileiro a agir. O Brasil chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas em Brasília, gesto que antecede o segundo turno, neste domingo (25), entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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A crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires se arrasta desde agosto. Naquele mês, o Brasil determinou que o embaixador argentino deixasse a capital federal e manteve o próprio representante fora de Buenos Aires, em resposta a ataques anteriores de Milei contra Lula.

Desde então, a relação bilateral é conduzida por um encarregado de negócios, nível abaixo de embaixador. A tensão começou no fim de julho, quando Milei declarou apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Milei é apoiador declarado de Flávio no segundo turno e, em publicações anteriores, já chamou Lula de "ladrão" e de "ditador comunista". O argentino também parabenizou Flávio e falou em laços mais próximos entre os dois governos, caso o candidato vença.

O que acontece agora

O chamado do embaixador Julio Bitelli para consultas é o passo mais recente da crise, mas não rompe formalmente as relações diplomáticas entre os dois países. Não há, até o momento, data confirmada para o retorno de Bitelli a Buenos Aires.

A nota reforça que a decisão sobre o futuro do país cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros, que voltam às urnas neste domingo (25) para escolher o próximo presidente.