A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) identificou dumping em dois insumos da siderurgia brasileira: eletrodos de grafite, da China e da Índia, e materiais refratários, da China. A decisão preliminar saiu nesta segunda-feira (19), no Diário Oficial da União, mas sem sobretaxa por enquanto.
O órgão, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reconhece dano à produção nacional nos dois casos. Mesmo assim, optou por aprofundar a investigação antes de decidir se vai taxar as importações.
No caso dos eletrodos de grafite, usados em fornos elétricos para produzir aço e ferroligas, a margem de dumping calculada foi de 54,9% para a China e 57,3% para a Índia.
A investigação começou em março, por pedido da GrafTech Brasil Participações, que se declara a única produtora nacional do insumo. As importações de eletrodos chinesas e indianas cresceram 268,9% entre abril de 2020 e março de 2025, segundo a Secex.
Para os materiais refratários, usados no revestimento de fornos industriais, a margem de dumping chegou a 205,5% para a chinesa Shandong Luqiao. A Secex também encontrou 136,5% para a estatal CNBM e 124,4% para a Yingkou Bayuquan Refractories e o Jinlong Group.
A investigação foi pedida pela Associação Brasileira de Fabricantes de Refratários. A indústria nacional avaliada no caso reúne as linhas de refratários da RHI Magnesita e da Ibar.
Por que o governo não aplicou a sobretaxa agora?
O governo não aplicou sobretaxa antidumping em nenhum dos dois casos, mesmo com dano comprovado à produção nacional. O documento oficial diz que as importações a preços de dumping contribuíram para o dano, mas o alívio para quem compra prevalece por ora.
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Isso mantém eletrodos e refratários mais baratos para quem compra: as usinas de aço e fundições que usam esses insumos na produção.
As importações chinesas de materiais refratários cresceram 119,8% entre outubro de 2019 e setembro de 2024, segundo a Secex. As vendas da indústria nacional recuaram 1,7% no mesmo intervalo. O resultado operacional caiu 80,5%.
O processo de eletrodos de grafite começou com uma petição da GrafTech Brasil em julho de 2025. Não é a primeira disputa da empresa com a concorrência chinesa: em 2008, ela já havia pedido investigação de dumping contra eletrodos de outro diâmetro.
O caso se soma a uma série de alertas sobre o avanço do aço chinês mais barato no mercado brasileiro.
O material importado da China já responde por 19% do consumo nacional de aço, quase o dobro do que o setor considerava normal.
Um ex-embaixador brasileiro já alertou que as importações da China ameaçam empregos na indústria nacional, cenário parecido com o que motivou o pedido da GrafTech.
O que acontece agora
Com a determinação preliminar publicada, o processo segue para manifestação das partes interessadas, entre elas as seis empresas chinesas e indiana investigadas nos dois casos. A Secex prevê parecer final sobre os eletrodos de grafite para 26 de abril de 2027.
Até lá, os insumos seguem sem sobretaxa, enquanto a análise continua.





























