O senador eleito por Minas Gerais Domingos Sávio (PL) disse, em entrevista ao programa Brasil que Dá Certo, da TV Sim Brasil, que já há motivo suficiente para abrir o processo de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Ele citou um relatório da Polícia Federal que, segundo o senador, comprova o envolvimento do ministro com um esquema ilícito.

Domingos Sávio fez questão de separar o que considera crime daquilo que é apenas discordância de uma decisão judicial.

"Eu sempre preciso separar o que é crime daquilo que é divergência de opinião", disse o senador eleito.

"Divergência de opinião ou voto que o ministro deu, e que eu não concordo com o voto dele, no meu entendimento não deverá jamais ser objeto de processo de impeachment", completou.

"Envolvimento com crime é outra coisa, envolvimento com ilícito é outra coisa. Aí é preciso punição doa a quem doer, não importa qual o ministro", completou Domingos Sávio.

Para ele, o caso de Moraes já passou dessa fronteira. Domingos Sávio defendeu a abertura do processo a partir do relatório da Polícia Federal, que segundo o senador traz provas do envolvimento do ministro com o esquema.

"O mínimo que o Senado tem que fazer é abrir o processo de impeachment do Alexandre Moraes, dar a ele o direito de defesa que ele não deu para aqueles que ele condenou", disse Domingos Sávio.

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A proposta de reforma no Judiciário

Domingos Sávio defende que a eventual abertura do processo contra Moraes seja acompanhada de uma mudança permanente na forma de escolher ministros do STF. Hoje a indicação é feita pelo presidente da República e aprovada pelo Senado.

"Eu defendo que, para ir para a Suprema Corte do Brasil, o ministro deva vir primeiro dos quadros do próprio Judiciário", disse o senador eleito.

"Tem que ter exercido a magistratura, ter sido juiz pelo menos por cinco anos, e ele deva ser eleito em lista tríplice pelo conjunto do Judiciário brasileiro", completou.

Pela proposta, a lista tríplice formada pelo próprio Judiciário passaria a ser a base para a escolha do presidente e a aprovação do Senado, substituindo as indicações diretas de hoje. Domingos Sávio criticou nominalmente a nomeação do ministro Flávio Dino, feita por Lula.

"O Lula, ao nomear o Dino, diz: eu tô tendo a alegria de nomear o primeiro ministro para a Suprema Corte que é um comunista", afirmou Domingos Sávio, repetindo a fala do presidente na ocasião.

Domingos Sávio toma posse no Senado em fevereiro, mês em que a Casa também elege sua nova Mesa Diretora. Segundo ele, esse é o primeiro passo da articulação da bancada após o segundo turno da eleição presidencial.