O Departamento de Estado dos EUA defendeu as sanções aplicadas em 2025 contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, em carta assinada em 15 de outubro pela secretária-assistente Katherine Bowles. O texto reafirma apoio a um "processo eleitoral livre e justo" no país.
A carta responde a parlamentares democratas que cobram explicações sobre possível interferência na eleição brasileira. Uma primeira carta, de 31 deputados, foi enviada em 24 de setembro, seguida por cobrança de três senadores e por uma terceira, de 12 deputados, em 6 de outubro.
Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade nos dois países.
É o trecho central da resposta de Bowles, segundo a carta obtida pela imprensa. O texto evita prometer reconhecimento automático do resultado da eleição, mas sustenta que o apoio dos EUA é ao processo, não a um candidato.
O que a carta diz sobre Moraes e o PCC/CV
Defende a carta que as sanções aplicadas a Moraes pela Lei Magnitsky, em julho de 2025, tiveram fundamento em "graves violações dos direitos humanos". O ministro, diz o texto, "abusou de sua posição ao autorizar prisões preventivas injustificadas e comprometer a liberdade de expressão".
As sanções contra Moraes foram retiradas em dezembro de 2025, por decisão do próprio governo americano, que citou interesses de política externa para justificar a revogação.
A carta também defende a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, decidida em maio de 2026.
"As medidas do Departamento reforçam o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis", diz o documento sobre a designação das duas facções.
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O pano de fundo eleitoral
A resposta do Departamento de Estado chega a dez dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. No pleito, concorrem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A pergunta por trás das três cartas é se o governo Trump usa sanções e declarações para pesar a favor de um lado na disputa. Em setembro, o governo já havia sinalizado que a sanção retirada de Moraes poderia voltar.
A Lei Magnitsky permite ao governo americano sancionar autoridades estrangeiras por violação de direitos humanos ou corrupção. Já a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas preocupa o setor financeiro brasileiro, pelo risco de sanções a bancos que processem transações das facções.
O que acontece agora
A carta não traz data nem sinalização sobre o reconhecimento do resultado do segundo turno pelos Estados Unidos. Nenhuma reação oficial do Itamaraty a esta correspondência específica havia sido divulgada até a apuração desta matéria.
O segundo turno acontece em 25 de outubro. Até lá, a expectativa é que novas cartas de parlamentares americanos continuem pressionando o governo Trump a detalhar sua posição sobre o Brasil.





























