A Rússia atacou a Ucrânia com 130 drones e 48 mísseis de cruzeiro nesta quarta-feira (7), no maior ataque combinado contra a infraestrutura de energia desde o fim do último inverno. Pelo menos 11 pessoas morreram, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
Unidades de defesa aérea ucranianas abateram 161 dos alvos lançados contra Kiev, Poltava, Dnipropetrovsk e Kharkiv, segundo a Força Aérea da Ucrânia. Ainda assim, um prédio residencial de cinco andares foi destruído em Pryluky, com cinco mortes e 26 feridos, incluindo cinco crianças.
"Mais uma noite sem dormir, mais um ato de terror, depois do qual as pessoas ainda têm que planejar seu dia de trabalho apesar de tudo", escreveu Dmytro Lubinets, comissário ucraniano para os direitos humanos, no Telegram.
Por que esses ataques se repetem todo outono e inverno
O padrão não é novo. A Rússia mira a rede elétrica ucraniana nos meses frios desde 2022, tática que o Reino Unido já classificou como tentativa de desmoralizar a população e forçar a liderança do país a capitular.
Em outubro de 2022, um único ataque com 84 mísseis e 24 drones derrubou quase metade da rede elétrica do país. Em novembro daquele ano, 10 milhões de ucranianos ficaram sem luz, segundo Zelensky à época.
Desde o verão deste ano, quase não houve um dia sem ataque à infraestrutura de energia ucraniana, mas um ataque tão massivo e combinado quanto o desta quarta não ocorria desde o fim da última temporada de aquecimento.
Em setembro, Zelensky chegou a propor uma trégua à Rússia para proteger grãos e energia, sem sucesso.
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O que a Rússia diz, e como a Ucrânia revida
O Ministério da Defesa russo afirma que o alvo é o complexo militar-industrial ucraniano, incluindo fábricas da empresa Fire Point, que produz os mísseis de cruzeiro Flamingo e o novo míssil balístico FP-9.
O FP-9 está em desenvolvimento final, com alcance estimado de 850 km, capaz de atingir Moscou, segundo a fabricante. Zelensky já havia dito à Reuters, na semana passada, esperar o míssil pronto até o fim do outono no Hemisfério Norte.
A Ucrânia também revidou. Um drone naval atingiu um petroleiro de bandeira liberiana perto de Sochi, na costa russa do Mar Negro, provocando incêndio; os 23 tripulantes, todos indianos, foram resgatados.
A guerra agora também se trava fora do território de ambos os países, em petroleiros e refinarias que sustentam o esforço bélico.
Segundo Zelensky, o ataque ao petroleiro faz parte de uma resposta que mirou quatro alvos usados para financiar a guerra russa: duas instalações de petróleo e um campo de treinamento nas regiões de Perm, Samara e Astrakhan, além do ataque no Mar Negro.
Essa estratégia de mirar refinarias já vinha sendo ampliada por Zelensky nos dias anteriores, parte do esforço ucraniano para encarecer o custo da guerra para Moscou.
Para líderes europeus como Emmanuel Macron, a escalada faz parte de uma guerra híbrida mais ampla da Rússia contra a Europa.
O que esse padrão revela
Mais um outono começa com a infraestrutura de energia ucraniana sob ataque declarado, repetindo um padrão que já dura quatro anos e meio de guerra.
A Rússia aposta em desgastar a população civil para pressionar uma rendição; a Ucrânia responde mirando a receita de petróleo que financia o esforço russo. Até aqui, nenhuma das duas estratégias levou ao fim do conflito.





























