O Ibovespa fechou sexta-feira (9) em 209.066,90 pontos, recorde histórico, com alta de 8% na semana. O dólar caiu a R$ 4,99, acumulando queda de 4,44% em cinco dias. Juntos, os dois movimentos refletem a reação do mercado ao cenário eleitoral.

O volume negociado na B3 somou R$ 51 bilhões na sexta, dia em que o índice também bateu máxima intradiária, de 209.713,45 pontos.

O movimento não é novo. Em 21 de agosto, numa sessão batizada pelo mercado de "trade eleitoral", o Ibovespa fechou em 171.031,73 pontos e o dólar valia R$ 5,144.

Em 2 de outubro, a bolsa já tinha renovado recorde, aos 192.114,55 pontos, na véspera do 1º turno.

Segundo a analista Rebecca Nossig, a alta reflete a reação do mercado ao monitoramento do cenário eleitoral, somada à queda do preço internacional do petróleo, que pode ajudar a esfriar a inflação.

A inflação, porém, não acompanha o otimismo do mercado. O IPCA de setembro veio acima do esperado, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%.

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Quem ganha e quem perde com o dólar mais baixo

O dólar mais barato pesa contra quem exporta: cada dólar vendido rende menos reais, embora outros fatores, como o preço internacional das commodities, também influenciem o resultado. Já quem importa ganha fôlego.

Uma importação de US$ 100 mil, que custava cerca de R$ 500 mil com o dólar a R$ 5, passa a custar cerca de R$ 497 mil, antes de impostos e frete.

Para quem viaja ou compra no exterior, cada US$ 1.000 ficou cerca de R$ 254 mais barato do que quando a moeda rondava os R$ 5,25.

O ponto em aberto

O mercado reage a cada nova leitura do cenário eleitoral, mas a inflação segue acima da meta. O resultado do 2º turno, em 25 de outubro, ainda vai decidir qual política econômica prevalece a partir de 2027.

O otimismo de hoje é uma aposta sobre o que vem depois das urnas, não uma certeza.