A mineradora britânica Anglo American vai alertar reguladores da União Europeia, nesta quinta-feira (8), que encerrará suas operações de níquel no Brasil caso a Comissão Europeia bloqueie a venda do negócio para a chinesa MMG, avaliado em US$ 500 milhões.

O aviso será feito em audiência a portas fechadas em Bruxelas, segundo rascunho de declaração obtido pela Reuters. As minas de ferro-níquel envolvidas são Barro Alto e Codemin, em Goiás, além dos projetos Jacaré, no Pará, e Morro Sem Boné, no Mato Grosso.

Por que a Comissão Europeia desconfia do negócio

A Comissão Europeia abriu investigação aprofundada ("Fase II") sobre o negócio em setembro. O órgão teme que a MMG desvie o fornecimento de ferronickel hoje destinado à Europa, prejudicando produtores locais de aço inoxidável.

A MMG é subsidiária da estatal chinesa China Minmetals Corporation (CMC). O órgão antitruste da UE enviou à empresa, em 17 de setembro, uma comunicação formal de objeções ao negócio. O documento lista as preocupações concorrenciais que motivam a investigação aprofundada.

A desconfiança com fornecedores chineses de metais já apareceu em outro front da indústria brasileira: o aço chinês hoje responde por 19% do mercado nacional, quase o dobro do habitual, segundo levantamento do setor.

Em Bruxelas, o diretor de operações da Anglo American Brasil, Ruben Fernandes, e a diretora financeira Cristina Morgan vão tentar demonstrar que a venda não compromete o abastecimento europeu. Fernandes dirá que a análise já causou incerteza para a operação brasileira.

Reconhecendo que a MMG é o único comprador confiável que identificamos e, dado nosso compromisso de sair do negócio de níquel há mais de dois anos, teremos poucas opções a não ser seguir o caminho da 'manutenção e conservação' como caminho para o fechamento, caso a Comissão proíba a venda.

Fernandes fará essa declaração nesta quinta, segundo o rascunho de sua fala obtido pela Reuters. Morgan, por sua vez, vai defender o histórico da compradora perante os reguladores.

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"A MMG é membro do ICMM, como nós, é bem conhecida por nós e possui esse histórico de ser uma operadora responsável e de oferecer valor concreto para o investimento", dirá ela, citando o Conselho Internacional de Mineração e Metais.

O que acontece agora

A Comissão Europeia tem prazo provisório até 30 de novembro de 2026 para decidir se aprova, condiciona ou veta a venda. Até lá, a Anglo American segue operando as minas em Goiás, Pará e Mato Grosso normalmente.

A saída do negócio de níquel já era um compromisso assumido pela mineradora há mais de dois anos. Isso limita a empresa a aceitar o comprador já negociado ou simplesmente encerrar a operação brasileira.

O impasse ocorre em meio a disputa geopolítica pelo metal. Em setembro, o preço do cobre já se aproximava do níquel, puxado pela demanda de data centers de inteligência artificial.

O governo brasileiro, por sua vez, tenta atrair investimento para o setor com a lei de R$ 7 bilhões para minerais críticos sancionada por Lula em setembro.