Promotores de Nova York devem apresentar novas acusações contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher dele, Cilia Flores, por suposta tortura de cidadãos americanos. O anúncio pode sair já nesta quinta-feira (8), segundo pessoas a par da investigação ouvidas pela CNN.
As acusações tratam da detenção ilegal de mais de uma dezena de americanos em prisões venezuelanas durante o governo Maduro. Investigadores também avaliam denunciar outras pessoas pelo suposto envolvimento na tortura.
Onde está Maduro e o que ele já responde
Maduro e Cilia estão presos numa penitenciária de Nova York desde que forças militares dos EUA os capturaram em Caracas, em 3 de janeiro deste ano. Os dois se declaram inocentes.
Ele já enfrenta quatro acusações criminais, entre elas conspiração para narcoterrorismo e para importação de cocaína, com risco de prisão perpétua em caso de condenação. Um juiz federal marcou o julgamento para 1º de junho de 2027.
Desde a captura, a Venezuela é governada interinamente por Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro.
A outra via: Washington negocia com quem assumiu
Enquanto o caso criminal avança em Nova York, Delcy Rodríguez construiu uma relação direta com a Casa Branca. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro, ela se reuniu com Trump em um encontro que teve o petróleo venezuelano como tema central.
Na ocasião, agradeceu a Trump por "retomar relações diplomáticas" com Caracas e prometeu eleições para escolher um novo presidente, descrevendo uma transição "ordenada, institucional e verificável".
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As conversas foram além do simbólico. Delcy levou energia e dívida da Venezuela à mesa de negociação com os americanos, dias depois de Trump chegar a dizer que ela havia "feito um trabalho muito bom" à frente do país.
Maduro, por sua vez, segue como o rosto da cobrança judicial dos EUA contra o regime que chefiou. Fotos dele na cadeia já circularam publicamente, desde agosto.
O mesmo governo que monta um processo criminal contra o ex-presidente negocia, ao mesmo tempo, petróleo e cronograma eleitoral com quem ocupa a cadeira dele.
O ponto em aberto
O processo contra Maduro só deve ir a julgamento em junho de 2027. Até lá, fica a pergunta se a via judicial e a via diplomática vão seguir em paralelo.
Ou se uma delas vai pesar sobre a outra.





























