Generais do Exército avaliam, em caráter hipotético, dois cenários de cooperação militar com os Estados Unidos se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição presidencial: operações conjuntas sob comando brasileiro ou uma base permanente americana em território nacional, segundo o UOL.

A preocupação não significa que existe decisão de instalar uma base. É uma hipótese que os militares examinam diante de possíveis mudanças na política de segurança e nas relações bilaterais num eventual governo Bolsonaro.

O cenário de presença permanente dos EUA é visto pelos próprios generais como ameaça à soberania e capaz de alterar o equilíbrio estratégico do país.

O pano de fundo é o combate ao crime organizado. O Brasil é hoje origem de 300 toneladas de cocaína exportadas por ano, segundo a reportagem, por uma fronteira terrestre de 16 mil quilômetros.

Os números sustentam um debate que já dura cerca de dois anos sobre ampliar o uso das Forças Armadas contra facções como o PCC e o Comando Vermelho.

O general Tomás Paiva, comandante do Exército, é citado entre os militares que acompanham o tema. Em 2018, o país já havia usado as Forças Armadas na segurança pública durante a intervenção federal no Rio de Janeiro.

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Como fica o Escudo das Américas?

O Escudo das Américas é a aliança político-militar liderada pelos Estados Unidos que já reúne 14 países latino-americanos alinhados a Donald Trump, caso de Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru. O Brasil ficou de fora.

Em setembro, o governo brasileiro recusou aderir à aliança, mas aceitou cooperar com os EUA contra facções por fora dela.

Flávio Bolsonaro defende posição oposta. Diz que, se eleito, vai trabalhar para incluir o Brasil no bloco, dentro de um plano próprio que prevê um "Sistema Nacional de Fronteira".

Fuzis e drogas que abastecem 100% das facções serão interceptados por terra, pelos portos e pelo espaço aéreo.

O trecho resume a proposta de segurança do senador. Flávio já declarou intenção de cooperar com a Colômbia e outros países para combater o que chama de "facções narcoterroristas" e quer classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas.

É essa agenda que reacende, entre os generais, o temor de uma presença militar americana permanente no país. O avanço dos EUA na vizinhança já é concreto.

Washington abriu uma unidade antidrogas na Argentina mirando PCC e Comando Vermelho e enviou drones à Colômbia e ao Equador nesta semana, mesmo movimento que alimenta a leitura militar brasileira sobre o que pode vir a seguir.

O que acontece agora

A definição do cenário depende do resultado da eleição. Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno em 25 de outubro, e a Band marcou um debate entre os dois candidatos para o dia 18 deste mês.

Até lá, a avaliação segue sendo hipótese interna, sem decisão formal do Exército.