O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou nesta segunda-feira (5) o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno de "uma grande vitória" e disse esperar um 2º turno "muito apertado" contra Lula (PT), marcado para 25 de outubro.

É uma grande vitória. Apertada, mas uma vitória muito grande. Incrível, na verdade.

Trump não citou Lula uma única vez.

Questionado por jornalistas em frente à Casa Branca, antes de viajar para Nebraska, Trump comentou o resultado do senador carioca. Minutos antes, ao ser perguntado como acompanhava a disputa no Brasil, ele disse apenas que achava que seria "uma eleição muito apertada".

Flávio terminou o 1º turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, no pleito realizado no domingo (4).

Trump evitou declarar apoio formal a Flávio, aliado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos dias anteriores à votação, já havia sido questionado sobre apoiá-lo e não respondeu diretamente; na sexta-feira (2), disse apenas que o governo acompanhava o processo "muito de perto".

A manifestação de Trump ocorreu horas depois do secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmar que o segundo turno já era esperado. Rubio disse que Washington vai continuar acompanhando a disputa entre Lula e Flávio nas próximas semanas, sem anunciar apoio a nenhum lado.

Na noite de domingo, Trump cometeu uma gafe ao comentar o pleito em sua rede social. Escreveu que 125 milhões de pessoas haviam votado "no mesmo dia" da apuração, citando a Índia em vez do Brasil. Horas depois, corrigiu o post para citar o Brasil.

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Sem citar candidato brasileiro, Trump usou o post para atacar o sistema eleitoral americano, que usa cédula de papel. Ele disse que os resultados costumam levar semanas para serem apurados e chamou a votação nos Estados Unidos de corrupta.

Como votaram os brasileiros nos Estados Unidos

Entre os brasileiros que votaram nos Estados Unidos, Flávio teve 61,1% dos votos válidos, contra apenas 31,68% de Lula — quase o dobro, repetindo o padrão observado na eleição anterior entre os eleitores do exterior.

Em 2022, Jair Bolsonaro já havia vencido com folga entre os brasileiros nos EUA, com 65,4% dos votos válidos contra 34,6% de Lula, que venceu o pleito geral naquele ano. O eleitorado brasileiro no exterior é historicamente mais à direita que a média nacional.

O que acontece agora

O segundo turno entre Lula e Flávio está marcado para 25 de outubro, e Rubio já sinalizou que o Departamento de Estado vai acompanhar a disputa "de perto" até lá, sem indicar se os EUA vão se posicionar antes da votação.

A suspeita de ajuda americana à campanha de Flávio já chegou ao STF e ao TSE, que vão investigar o tema nas próximas semanas.

Enquanto isso, senadores americanos cobram de Trump um compromisso de não interferência no pleito brasileiro.