O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como "ilusão barata e vazia" a reação do mercado financeiro ao plano fiscal de Flávio Bolsonaro (PL) e disse que o governo Lula deixa as contas públicas em situação melhor do que recebeu.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8), Durigan comentou a queda das taxas de juros longos após o 1º turno. "É uma ilusão barata, uma ilusão vazia, que está se vendendo e o mercado tem comprado isso", disse o ministro.
"No governo Bolsonaro, não foi feita nenhuma correção de ajuste fiscal. Inclusive, o risco país piorou, o endividamento público piorou", completou, ao comparar o início e o fim do mandato de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
O que Durigan diz que o governo já fez?
Durigan nega que o governo Lula seja gastador. Segundo ele, a evolução da dívida pública nos últimos anos foi puxada principalmente pelos juros, não pelo resultado primário, e as contas foram organizadas ao lado do ex-ministro Fernando Haddad.
Como prova, citou o bloqueio de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2025, o congelamento de R$ 16 bilhões neste ano e a revisão de benefícios tributários, com redução linear de 10%. Segundo ele, o governo não gastou além do previsto no Orçamento.
O que Durigan critica no plano de Flávio?
Durigan afirma que Flávio quer aplicar no Brasil o modelo do argentino Javier Milei, que responde com ansiedade à demanda do mercado.
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Na vizinha Argentina, a inflação caiu sob Milei, mas o salário médio perdeu 39% do poder de compra no mesmo período.
O ministro também contesta a proposta de Flávio de uma regra fiscal com corte automático de gastos, que ele estima em mais de R$ 200 bilhões sem detalhamento de como seria feito o corte.
Tirar R$ 200 bilhões, que é toda a despesa discricionária que o Executivo tem, é voltar a ter desmatamento.
"Não adianta a gente querer tratar com medicamento de alta dosagem o tema do endividamento público e não olhar para o crescimento, não olhar para o emprego, não olhar para a balança comercial", completou o ministro.
O ataque mira o plano do adversário, mas também defende o histórico do próprio governo a 17 dias do 2º turno.
O que acontece agora
Durigan, porta-voz econômico da campanha de Lula, já citou em agosto que as travas fiscais para gastos obrigatórios terão impacto de R$ 10 bilhões em 2027. O debate segue até 25 de outubro, dia do 2º turno entre Lula e Flávio.





























