O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou os Estados Unidos de inércia nesta quinta-feira (8), após ataques russos matarem pelo menos 78 pessoas em dois dias. Ele pediu que Washington amplie o acesso da Ucrânia ao Starlink para atingir lançadores de mísseis russos.

O maior obstáculo, porém, não está só em Washington. Segundo reportagens internacionais, quem trava o uso militar do Starlink dentro da Rússia é a SpaceX, empresa de Elon Musk.

O presidente Donald Trump já havia autorizado o uso em julho.

Segundo Zelensky, Trump concordou com a medida numa reunião em 28 de julho. Mesmo assim, o serviço continua limitado dentro do território russo.

A SpaceX tem a capacidade técnica de decidir onde e como a rede funciona, por geofencing. Os terminais usados na Ucrânia operam com velocidade limitada a cerca de 75 km/h, o que dificulta o uso em drones de ataque de longo alcance.

Abram o Starlink para a Ucrânia. Vocês o abriram quando estavam respondendo ao Irã… Eu disse bem abertamente: deem isso a nós, ajudem-nos a defender nossos céus e a dominar essa área. E então Putin se sentará à mesa de negociações

A frase é de Zelensky, em declaração emocionada a jornalistas na cidade de Pryluky, atingida por um ataque russo que matou 22 pessoas num prédio residencial.

Por que Musk se opõe ao uso ofensivo do Starlink?

Musk defende que a medida representaria uma escalada do conflito, não uma aproximação do fim da guerra. Ele já havia entrado em atrito com Zelensky sobre o tema antes, numa disputa que o próprio presidente ucraniano chamou de "Starlink-Gate".

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O episódio que Zelensky citou sobre o Irã não é hipotético. Em junho, o Irã chegou a classificar empresas de Musk como alvos militares, em retaliação a um ataque dos EUA.

Enquanto isso, o governo americano defende outra leitura do impasse. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse nesta quinta que não há, hoje, perspectiva de solução negociada, porque a Rússia exige o controle total da região de Donetsk, o que a Ucrânia rejeita.

As duas frentes de resistência, a de Musk e a da diplomacia americana, mostram que o "não" a Zelensky tem mais de uma origem.

Os ataques que motivaram a cobrança de hoje não são um caso isolado. O acervo mostra por que os ataques russos à Ucrânia crescem a cada inverno e por que a Rússia mira a indústria do país, não só o território.

O ponto em aberto

O caso expõe uma situação pouco comum na guerra. Uma autorização presidencial dos EUA para ampliar o acesso ucraniano ao Starlink foi dada em julho, segundo Zelensky, mas uma empresa privada manteve o veto operacional desde então.

A pergunta que fica é até onde um Estado em guerra consegue projetar poder militar quando depende de uma infraestrutura controlada pela decisão de uma só pessoa.