O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (6) o decreto 13.132/2026, que autoriza a entrada de 350 militares argentinos no Brasil para o exercício combinado Arandú, de 10 a 17 de outubro, em Rosário do Sul (RS).
O documento, assinado também pelo ministro da Defesa, José Múcio, foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (7). Além dos militares, a autorização cobre aeronaves, veículos, armamentos, munições, dispositivos ópticos e equipamentos de comando, controle e comunicação usados no exercício.
O número de 350 soldados argentinos citado no decreto é bem menor que o total mobilizado no treino. Segundo a Revista Sociedade Militar, o exercício reúne cerca de 2.300 militares, 300 viaturas e 80 blindados dos dois países.
Entre os equipamentos estão os tanques argentinos TAM 2C-A2, os blindados Stryker 8x8 e os veículos Guarani 6x6 do Exército Brasileiro. O grosso do efetivo que participa do treino é formado por militares brasileiros, já que o decreto só precisa autorizar a parcela estrangeira.
Os tanques TAM 2C-A2 fazem o primeiro desdobramento internacional depois de uma modernização recente, segundo a mesma publicação.
O que o exercício simula
O treino simula a formação de uma brigada combinada para proteger, em cenário fictício, recursos naturais sob ameaça. Documentos argentinos descrevem incursões de forças especiais, assalto aéreo, lançamento de paraquedistas e tiro com munição real, em operações diurnas e noturnas.
A edição anterior do Arandú, em 2023, reuniu 300 militares brasileiros e 348 argentinos na Argentina, bem menos que o efetivo de 2026. O planejamento desta edição começou em 2025, com simulação em Santa Maria (RS) que reuniu mais de 320 militares.
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Por que vídeos do treino viraram teoria de interferência eleitoral
Publicações nas redes associaram, de forma falsa, a movimentação das tropas a uma interferência eleitoral dos EUA no Brasil. Segundo a Agência Lupa, o conteúdo alcançou 47,7 milhões de contas no X, no YouTube e no Reddit entre 28 de setembro e 3 de outubro.
Quase todo o engajamento, 46,4 milhões de contas, ocorreu no próprio dia da votação do primeiro turno, 4 de outubro. Comentários nas publicações citavam supostos infiltrados comunistas nas Forças Armadas e mencionavam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Exército argentino negou qualquer ligação com a política brasileira.
“Veículos de combate e outros equipamentos do Exército argentino são transportados por ferrovia para a área de operações, como parte do deslocamento para o treinamento conjunto com o Exército brasileiro”, informou a corporação, em publicação no Instagram.
A cooperação militar segue um calendário próprio, à parte do atrito diplomático entre os dois governos. Lula rebaixou a relação com a embaixada argentina em agosto.
O presidente argentino Javier Milei tem voltado a chamar Lula de ladrão enquanto declara apoio ao candidato Flávio Bolsonaro no 2º turno.
O episódio ocorre em meio a alertas sobre interferência estrangeira no pleito: a Abin já havia confirmado tentativas dos EUA e da Rússia de interferir na eleição.
O que acontece agora
O deslocamento das tropas argentinas, de cerca de 2,8 mil km, é feito por ferrovia e leva seis dias, segundo o Exército Brasileiro. O exercício termina em 17 de outubro, quando o contingente retorna ao país, dentro do prazo fixado pelo decreto.





























