O ex-agente da CIA John Kiriakou afirmou nesta segunda-feira (5) que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos estaria "potencialmente" intervindo na eleição presidencial brasileira a favor de Flávio Bolsonaro (PL), sem provas, e prometeu detalhar o caso nesta terça (6).

Kiriakou foi agente da CIA por cerca de 15 anos e ficou conhecido em 2007 por revelar que a agência praticava tortura durante interrogatórios. Ele foi condenado a 30 meses de prisão em 2013 por vazar o nome de um colega à imprensa.

John Kiriakou fala sentado ao lado de um moderador em evento sobre espionagem e tortura da CIA
John Kiriakou em palestra sobre sua passagem pela CIA, em evento de 2017 (foto de arquivo) — Foto: Thomas Schmidt/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na publicação original, Kiriakou disse ter conversado com "o presidente Bolsonaro três anos atrás, quando ele era candidato" e afirmou haver "evidências críveis" do envolvimento da CIA. Horas depois, ele mesmo corrigiu a informação.

Uma correção aqui: minha conversa foi com LULA, não com Bolsonaro. Para esclarecer, a CIA está potencialmente intervindo a favor de Bolsonaro, não de Lula.

A publicação foi noticiada primeiro pelo ICL, em reportagem do jornalista Jamil Chade, e segue sem apresentar provas concretas da suposta ação da agência americana.

O que já havia de tensão entre Brasília e Washington

A acusação de Kiriakou soma-se a um atrito que já durava semanas. Em 28 de setembro, Lula já havia acusado Trump de tentar interferir na eleição a favor de Flávio Bolsonaro, segundo apuração da BBC News Brasil.

Fontes do Planalto disseram à BBC que o governo brasileiro distingue o tom do presidente americano do discurso do secretário de Estado, Marco Rubio, e tenta esfriar a relação com contatos diretos entre os dois presidentes.

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O Itamaraty negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado que queriam discutir as urnas eletrônicas antes da eleição. O governo suspeitou de dúvidas sobre o sistema eleitoral e de aproximação com o entorno de Flávio Bolsonaro.

Em 20 de setembro, a Abin já havia elevado a nível crítico o risco de interferência dos EUA na eleição. Quatro dias depois, o PT chegou a pedir ao STF uma investigação sobre a suposta interferência a favor de Flávio.

O episódio expõe uma disputa diplomática que já levou Brasília a recusar visto a emissários dos EUA mais de uma vez neste ano, antes mesmo da declaração de Kiriakou.

No mesmo dia, o próprio Trump disse que o segundo turno entre Lula e Flávio deve ser "muito acirrado", fala que já havia elevado a atenção internacional sobre a disputa.

O que acontece agora

Kiriakou prometeu detalhar a acusação nesta terça-feira (6), em seu programa Briefing Room. Até a publicação desta reportagem, nem a Casa Branca nem a CIA haviam se manifestado sobre a declaração, e o ex-agente não indicou que tipo de evidência pretende apresentar.