A carne bovina do Brasil passou a pagar tarifa total de 67% para entrar na China desde quinta-feira (1º), depois de o país esgotar, pela primeira vez, a cota anual de 1,1 milhão de toneladas livre de sobretaxa, segundo o governo chinês.
A taxa extra de 55% soma-se à tarifa padrão de 12% da China.
A tarifa torna os embarques fora da cota financeiramente inviáveis para boa parte dos frigoríficos, segundo o setor. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) negocia com o governo a distribuição da cota entre frigoríficos.
O aperto no principal mercado comprador empurrou o preço da carne dentro do Brasil. A arroba do boi gordo em São Paulo fechou em R$ 372,95 nesta segunda-feira (5), segundo o Cepea/Esalq-USP, o maior valor nominal da história.
A alta chega a 7,8% desde o início de setembro. Parte da oferta que iria para a China agora disputa espaço no mercado interno e com outros compradores, como os Estados Unidos. A União Europeia também limita compras por embargo vigente desde setembro.
O que muda para o frigorífico
Para o frigorífico, exportar carne além da cota chinesa passa a custar quase seis vezes mais em imposto: a tarifa salta de 12% para 67% assim que o limite anual é ultrapassado, mecanismo que a China aplica até 2028.
Entre 2016 e 2025, o Brasil vendeu 8,2 milhões de toneladas de carne bovina à China, receita de US$ 42,3 bilhões. O volume representa mais de 40% de tudo que o país asiático importa do produto no mundo.
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A expectativa do setor é de queda de cerca de 10% nas vendas à China neste ano, na comparação com 2025.
O que acontece agora
A Abiec discute antecipar embarques para usar parte do limite de 2027, de 1,128 milhão de toneladas, a partir de janeiro. O setor também amplia vendas para Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia, México e Oriente Médio para compensar a retração chinesa.
Frigoríficos já sentem o aperto de margem: a exportação de boi vivo bateu recorde em setembro, mas o abate no país ficou no vermelho.





























