A exportação de café verde do Brasil somou 3,93 milhões de sacas de 60 kg em setembro, o maior volume em 20 meses, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta terça-feira (6). As vendas renderam US$ 1,29 bilhão ao país.

O volume representa alta de 20,4% ante setembro de 2025, impulsionada pelo avanço da colheita. Mesmo com o preço médio caindo 9,8% no período, o crescimento da quantidade embarcada compensou a perda.

Mãos seguram grãos de café torrado sobre torrador industrial
Foto: Paula Laboissière/Agência Brasil

A colheita já estava concluída em setembro, depois de chuvas atípicas de inverno terem atrasado os trabalhos no início do ano. Com isso, os exportadores já contavam com grãos da nova safra.

Por que o preço cai no supermercado

A mesma safra recorde que elevou as exportações também derruba o preço do café torrado e moído nas prateleiras. Em Minas Gerais, maior produtor do país, o quilo caiu de R$ 60-R$ 80 para menos de R$ 30, segundo o Sindicafé-MG.

"A previsão de uma das maiores safras de todos os tempos, após quatro anos de frustração climática", disse Sérgio Meirelles Filho, presidente do Sindicafé-MG, em seminário da Abic em Belo Horizonte.

A Conab estima uma safra nacional recorde de 66,2 milhões de sacas em 2026, alta de 17,1%. Minas Gerais deve colher 32,4 milhões de sacas, 25,9% a mais que em 2025.

Exportações agropecuárias em setembro de 2026 — Secex/Mdic, ante setembro de 2025
ProdutoResultado em setembro
CaféUS$ 1,29 bi em receita (+8,7%), volume recorde em 20 meses
SojaUS$ 3,47 bi em receita (+11,9%), volume estável
Milho5,2 milhões de toneladas embarcadas (-30%)
Carne bovina in natura195,2 mil toneladas embarcadas (-38%)

O café é a segunda commodity agropecuária que mais rende divisas ao país, atrás só da soja.

Já a carne bovina sofre dois golpes ao mesmo tempo. O Brasil esgotou a cota com tarifa menor para a China e também teve as vendas à União Europeia suspensas, por exigências sanitárias sobre antimicrobianos.

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O ritmo forte já vinha sendo notado desde o início do mês. Até a segunda semana de setembro, as exportações diárias de café já subiam mais de 50% sobre a média do ano passado, segundo a Secex.

A causa é a mesma apontada desde o meio do ano: a safra brasileira de café também bateu recorde em 2026, segundo o setor.

O que acontece agora

O preço do café deve seguir baixo enquanto a safra recorde continuar chegando ao mercado, segundo o Sindicafé-MG. A próxima leitura oficial da Secex, com os dados de outubro, ainda não tem data confirmada de divulgação.