Levantamento do projeto VigIA, do Observatório Lupa, identificou 920 publicações com uso confirmado de inteligência artificial entre 16 de agosto e 28 de setembro, período que antecedeu o primeiro turno das eleições de 2026. A média foi de quase um conteúdo por hora.
O projeto analisou 972 publicações suspeitas, de um total de 1.941 coletadas. Mais da metade, 554, eram deepfakes (vídeos ou imagens manipulados ou gerados por IA).

Dos 920 casos confirmados, 549 (60%) não tinham qualquer identificação de que o conteúdo foi gerado por IA. Entre os que avisavam, a maioria usava o rótulo da própria rede social, não um aviso do autor.
Quem mais aparece nos conteúdos manipulados
Lula foi o alvo mais retratado, com 379 publicações manipuladas ou geradas por IA, mais que o dobro das 190 que mostravam Flávio Bolsonaro (PL) e das 94 com Jair Bolsonaro, segundo o levantamento do Observatório Lupa.
| Político | Publicações com IA |
|---|---|
| Lula | 379 |
| Flávio Bolsonaro | 190 |
| Jair Bolsonaro | 94 |
A promoção de candidaturas foi a finalidade mais comum, presente em 414 dos 920 casos (45%). Humor e sátira apareceram em 254 casos, e conteúdo de ataque, em 226.
Na maioria das vezes, quem viu essas publicações não tinha como saber que o conteúdo era sintético.
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"O jornalismo tem muita credibilidade, e os desinformadores sabem disso", disse Cristina Tardáguila, fundadora da Lupa e coordenadora do Observatório.
Pelo menos 30 deepfakes usaram a imagem de jornalistas da Globo, entre eles César Tralli, William Bonner e Renata Lo Prete, para divulgar falsas pesquisas eleitorais, segundo o levantamento.
O fenômeno já vinha crescendo. Em levantamento anterior, da Data Privacy Brasil, o conteúdo eleitoral com IA somava 413 casos até agosto, 81% deles deepfakes de políticos.
O Tribunal Superior Eleitoral já agiu em casos específicos. Em agosto, o TSE mandou remover um vídeo com IA que ligava Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As big techs também assumiram compromissos. OpenAI e Anthropic assinaram acordo com o TSE proibindo suas ferramentas de recomendar voto nas eleições.
O que acontece agora
O relatório do VigIA cobre o período até o fim de setembro, antes do primeiro turno. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.





























