O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse nesta segunda-feira (5) que a relação do país com o Brasil não depende de afinidade política, ao comentar o primeiro turno da eleição presidencial brasileira, vencido por Flávio Bolsonaro (PL) com 47,3% dos votos válidos.

Afinidade e conhecimento não podem interferir nas relações com outros países. Minha relação com os países vizinhos tem sido a mesma em ambos os governos.

A frase é de Orsi, que governa pelo Frente Amplio e é próximo de Lula. A fala sinaliza que o governo uruguaio não pretende alinhar sua diplomacia ao resultado das urnas no Brasil, qualquer que seja o vencedor do segundo turno.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula acontece em 25 de outubro. No primeiro turno, Lula teve 45,16% dos votos, uma diferença de 2,14 pontos percentuais em relação ao adversário.

Questionado sobre o apoio que já deu a Lula no passado, Orsi separou os dois planos. "Apoio político é apoio político, relação é outra coisa", disse o uruguaio.

Orsi também elogiou o andamento do processo eleitoral brasileiro. "Acho que tudo correu bem. O mais importante é que isso aconteceu dentro da estrutura das normas democráticas e da convivência", afirmou.

Ele lembrou que outros países da América do Sul já elegeram governos de direita sem que isso afetasse a relação bilateral com o Uruguai.

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"O pêndulo muitas vezes se move. Cuidar as regras do jogo democrático, cuidar que as instituições funcionem, isso te dá garantia para o futuro de que a alternância é parte da vida normal", disse Orsi.

A reação de outro vizinho foi bem diferente.

O argentino Javier Milei, aliado declarado de Flávio Bolsonaro, publicou mensagens de comemoração na própria noite da apuração, no dia 4 de outubro. Na ocasião, o presidente argentino já havia parabenizado Flávio Bolsonaro e falado em laços "mais próximos" entre os dois países.

No dia seguinte, Milei voltou a atacar Lula. "Perdeu um 'zurdo' comunista e os mercados comemoram. Esquerdistas empobrecedores, saiam do caminho", escreveu, assinando o post com "MAGA".

O contraste resume os dois extremos da reação regional nesta eleição. De um lado está o engajamento explícito; do outro, o distanciamento calculado.

Não é a primeira vez que o argentino ataca o petista por causa da eleição brasileira. Ainda no fim de setembro, Milei chamou Lula de "ladrão" outra vez e reforçou o apoio a Flávio.

Flávio e Lula já disputam o segundo turno da Presidência desde a confirmação do resultado do primeiro turno, no último domingo.

O que acontece agora

O segundo turno ocorre em 25 de outubro, data em que o eleitorado brasileiro decide entre Flávio Bolsonaro e Lula. Até lá, a tendência é que outros governos da região sigam se posicionando, como fizeram Milei e Orsi logo após o resultado do primeiro turno.