O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (22) apoiar a proibição das exportações de diesel do país, depois de o preço bater recorde de US$ 6,50 o galão, alta de 83% no ano puxada pela guerra no Oriente Médio.
"Eu disse: não mandem o diesel. Nós produzimos muito diesel", afirmou Trump a jornalistas na Assembleia Geral da ONU.
A guerra cortou exportações de diesel do Oriente Médio, e drones ucranianos destruíram refinarias na Rússia.
Por que a proibição preocupa o Brasil
Os EUA se tornaram o principal fornecedor de diesel do Brasil nos últimos meses. Em julho, eles responderam por 78% das importações brasileiras programadas, contra 36% em junho. A Rússia, até então líder do fornecimento, caiu de 64% para 17% no mesmo período.
A virada aconteceu porque os descontos no diesel russo desapareceram. "Desde que começou a guerra no Oriente Médio os descontos sobre a energia russa desapareceram", disse Alê Delara, da Woodyard Investimentos.
O diesel americano também ficou mais competitivo. Pesaram a liberação de reservas estratégicas dos EUA, a produção recorde no país e o acesso ampliado a petróleo venezuelano.
Sergio Araujo, presidente da Abicom, associação que reúne os importadores de combustível do Brasil, minimizou o risco de desabastecimento. "A restrição da oferta de diesel da Rússia provoca aumento no preço do produto, mas não representa risco para o abastecimento", disse.
Quem defende e quem se opõe à proibição nos EUA
A proibição tem apoio de republicanos como o senador Chuck Grassley, que pediu um embargo às exportações, o deputado Tim Burchett, autor de projeto de lei no mesmo sentido, e o governador da Louisiana, Jeff Landry, que sugeriu um bloqueio de 90 dias.
Nem todo o governo Trump está convencido. O secretário do Interior, Doug Burgum, disse não estar "nada confiante" de que a medida derrubaria os preços internos. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a Casa Branca ainda avalia se a proibição é viável.
Os EUA são o maior exportador mundial de diesel, com Europa e América Latina entre os principais destinos. Analistas ouvidos pela imprensa americana apontam efeito bumerangue: cortar a oferta para fora tende a elevar os preços da gasolina dentro dos próprios EUA.
No Brasil, o preço dos combustíveis já é alvo de escrutínio: a Senacon investiga 12 empresas por suspeita de preço abusivo. O tema chega em meio a um impasse mais amplo entre Lula e Trump sobre tarifas, que segue sem acordo fechado.





































