A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou neste sábado (29) o acordo que dá aos Estados Unidos controle majoritário sobre 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. A formalização chancela o desfecho que o governo Lula tentou evitar em janeiro, quando classificou a captura de Nicolás Maduro pelos EUA como afronta à soberania venezuelana.
Segundo a Agência Brasil, o acordo abrange 17 campos estratégicos nas bacias petrolíferas do país, com potencial de 65 bilhões de barris. O investimento previsto passa de US$ 100 bilhões, e a Venezuela espera arrecadar mais de US$ 209 bilhões em impostos com a exploração.
"Um acordo histórico", disse Rodríguez, que agradeceu "de forma calorosa" a Donald Trump e ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pela iniciativa.
Trump chamou o pacto de "o maior acordo de petróleo da história mundial" e disse que o objetivo é aliviar a pressão sobre o preço da gasolina nos Estados Unidos.
O anúncio consolida uma guinada nas relações entre Caracas e Washington. Rompidas por sete anos, elas foram retomadas formalmente em março, dois meses depois de o Exército americano capturar Maduro e levá-lo para os Estados Unidos, onde responde a acusações de narcoterrorismo e narcotráfico.
O alerta que Lula fez em janeiro
Na época da captura, Lula chamou a operação de "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e cobrou resposta da ONU. Ele defendia que Maduro fosse julgado na própria Venezuela, não no exterior, e alertava para o risco de a crise se espalhar pela região.
"Atacar países, em flagrante violação ao direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade", disse Lula à época, ao prever "efeitos colaterais" como aumento do fluxo de migrantes para o Brasil e a Colômbia.
Uma reportagem da TV Sim Brasil já mostrava, na sexta-feira (28), o outro efeito prático esperado por aqui. A pressão para baixo no preço internacional do petróleo tende a puxar a gasolina nas bombas brasileiras, mas também reduz a receita da Petrobras.
Passados quase oito meses da captura, porém, o alerta de Lula sobre um novo fluxo migratório não se confirmou nos números oficiais — pelo menos não ainda.
O que os números da fronteira mostram
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o fluxo de venezuelanos pela fronteira de Pacaraima, em Roraima, caiu mais de 50% em 2026 ante o mesmo período do ano anterior. Foram 1.014 entradas registradas neste ano, contra 2.121 em 2025, segundo a Operação Acolhida.
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Pacaraima já recebeu mais de 1,1 milhão de venezuelanos desde 2015. O fluxo segue existindo, mas os dados oficiais mais recentes não mostram, até agora, o salto que o governo brasileiro temia diante de uma escalada da crise entre Washington e Caracas.
O que acontece agora
O leilão para definir quais empresas americanas vão operar cada um dos 17 campos ainda não tem data. Nos Estados Unidos, porém, a pressão por combustível mais barato cresce às vésperas das eleições de novembro.
O governo brasileiro mantém a defesa de uma solução negociada para a crise venezuelana, sem sinalizar mudança de posição após a confirmação do acordo.



























