Donald Trump terá seu primeiro encontro com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nesta terça-feira (22), em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU. O embaixador americano na organização, Mike Waltz, confirmou o encontro nesta sexta-feira (18), sem detalhar a pauta.

Delcy assumiu o poder em janeiro, depois de uma operação militar dos Estados Unidos capturar Nicolás Maduro, que segue preso em Nova York aguardando julgamento. Este será o primeiro encontro dela com Trump desde então.

Uma autoridade para os EUA, outra para a União Europeia

Washington reconheceu Delcy como "única autoridade legítima" em março, e suspendeu as sanções contra ela em abril. A União Europeia foi na direção oposta: o bloco europeu recusa reconhecer o governo interino, como já fazia com a eleição contestada de Maduro em 2024.

Parte da oposição venezuelana também questiona a legitimidade de Delcy para fechar acordos do porte do que ela assinou com Washington. Especialistas em Direito Internacional apontam que não há base jurídica que justifique tratar a interina de forma diferente de outros casos.

O que os EUA ganham com o reconhecimento

Aquele interesse tem nome: petróleo. Em agosto, os dois países fecharam acordo de 100 anos sobre 17 campos petrolíferos venezuelanos, com reservas de 65 bilhões de barris, o mesmo acordo que o próprio Lula tentou evitar.

Dias antes deste encontro, a Venezuela também negociava transferir US$ 4 bi em ouro aos EUA.

A Venezuela tem as maiores reservas provadas de petróleo do mundo: cerca de 303 bilhões de barris, 17% do total global, à frente de Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões). Os EUA têm apenas 45 bilhões em reservas próprias.

Apesar disso, a Venezuela ficou em 21º lugar em produção mundial de petróleo em 2024, com cerca de 960 mil barris por dia.

A maior parte do óleo está na Faixa do Orinoco, em depósitos pesados e caros de extrair — exatamente o tipo de infraestrutura que empresas americanas prometem trazer com o novo acordo.

O ponto em aberto

A União Europeia recusa reconhecer Delcy pelo mesmo motivo que recusou reconhecer Maduro: a legitimidade de origem do poder. Os EUA reconheceram a mesma interina dois meses antes de fechar o maior acordo de petróleo do país em décadas.

Nenhuma das duas posições foi revista até agora, e o encontro em Nova York não é uma reunião bilateral formal (é uma conversa reservada à margem de uma recepção). A pergunta que fica é se a proximidade recompensa a legitimidade ou a substitui.