Os Estados Unidos aprovaram, nesta sexta-feira (18), a venda de US$ 2,68 bilhões em sistemas de defesa aérea à Ucrânia, incluindo mísseis, lançadores e radares antidrones. Mas quem vai pagar a conta não é só Washington: o pacote depende de contribuições europeias.
O Departamento de Estado americano notificou o Congresso sobre a decisão nesta sexta. Segundo o órgão, a compra, se confirmada, seria financiada por uma combinação de contribuições europeias e recursos do Programa de Financiamento Militar Estrangeiro dos EUA, destinados durante a administração anterior.
O que mudou no financiamento da ajuda à Ucrânia?
Desde que assumiu, em janeiro de 2025, Trump parou de pedir ao Congresso novas verbas diretas para a Ucrânia. Os EUA seguem entregando o que já havia sido comprometido pelo governo Joe Biden.
No lugar disso, criou-se em 2025 um mecanismo batizado de PURL. Nele, a Ucrânia lista o que precisa, países da Otan e o Canadá pagam, e a indústria americana fabrica e entrega, principalmente sistemas de defesa aérea.
29 países já contribuíram ou se comprometeram com o PURL, somando US$ 6,7 bilhões, e cerca de 95% dos interceptores Patriot que chegam à Ucrânia hoje passam por esse mecanismo.
Ou seja, a arma chega dos Estados Unidos, mas quem paga a conta, cada vez mais, é outro país da Otan.
Por que Trump quer que a Europa pague mais?
Trump afirmou, no início de setembro, que vai cobrar dos europeus o reembolso de "centenas de bilhões de dólares" que, segundo ele, os EUA deram à Ucrânia e à Otan "de graça" durante o governo Biden.
A proposta de venda desta sexta-feira coincidiu com outro movimento de Trump contra Moscou. Ele assinou, na mesma semana, um novo pacote de sanções à Rússia com foco em Vladimir Putin.
O posicionamento de Trump sobre a guerra tem oscilado. Em setembro, ele já havia proposto uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia e, em outro momento, culpou a própria Ucrânia por uma escassez de diesel, pedindo o fim dos ataques.
Kiev enfrenta uma intensificação dos ataques russos que seu Exército não consegue impedir por falta de munição. Zelensky já havia proposto uma trégua à Rússia para proteger a infraestrutura de grãos e energia do país.
O ponto em aberto
A venda ainda depende de revisão do Congresso americano, e o Departamento de Estado não detalhou como a conta vai se dividir entre o fundo remanescente da era Biden e os novos aportes europeus.
Com 95% dos interceptores Patriot já passando pelo mecanismo PURL, a pergunta que fica é até que ponto os Estados Unidos seguirão como fornecedor de armas à Ucrânia sem também serem, na prática, quem paga por elas.





























