Autoridades da Rússia relataram, neste sábado (19), ataques a sistemas de votação e comunicação no país, no segundo dia das eleições parlamentares, que vão até domingo (20). O sistema de Moscou sofreu ataque durante a madrugada, mas está sob controle, segundo a CEC.
É a primeira eleição para a Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, desde que o país iniciou a guerra em grande escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. O Kremlin trata o pleito como um termômetro do apoio popular ao conflito.
A expectativa é de que o Rússia Unida, partido governista e aliado de Vladimir Putin, mantenha a posição dominante no sistema político do país.
Analistas já apontavam que o resultado da eleição não reflete o apoio real à guerra, dada a exclusão prévia da oposição.
Segundo a presidente da CEC, Ella Pamfilova, os ataques ao sistema de votação continuavam neste sábado. Ela disse à mídia estatal que todos estavam sendo repelidos com sucesso.
De acordo com o Ministério da Informação e Comunicação, uma tentativa de sabotagem também atingiu as linhas de comunicação no Extremo Oriente do país, mas as conexões foram restabelecidas.
Já em Moscou, a presidente da comissão eleitoral da cidade, Olga Kirillova, confirmou que terminais de votação chegaram a ser desativados por um breve período já no primeiro dia da eleição, na sexta (18).
Ela atribuiu o episódio a um possível ataque hacker, mas disse não ter recebido reclamação de moradores sobre violação de direitos eleitorais.
Quem foi barrado da disputa?
A maioria dos candidatos contrários à guerra foi excluída das cédulas antes do início da votação nos 11 fusos horários do país.
A Suprema Corte russa decidiu, no mês passado, que o partido liberal Yabloko, que defende um cessar-fogo na Ucrânia, havia violado regras eleitorais. A legenda nega a acusação.
Alguns candidatos do Yabloko ainda disputam distritos uninominais, responsáveis por metade das 450 cadeiras da Duma. O partido tradicionalmente obtém votação de um dígito nesse formato.
Com a principal oposição fora das cédulas, o resultado da disputa proporcional já é dado como certo antes mesmo da apuração.
O presidente Vladimir Putin acusou, antes da votação, a Ucrânia de tentar interferir no pleito, sem apresentar provas. A fala ocorre na mesma semana em que Trump assinou um novo pacote de sanções à Rússia com mira no próprio Putin.
A participação eleitoral, medida pela CEC, passou de 32,58% às 14h de sábado (8h em Brasília) para 35,55% pouco depois das 15h, segundo a agência estatal russa RIA Novosti.
Que outra disputa a eleição abriu?
Na Transnístria, região separatista pró-Rússia da Moldávia, a eleição também gerou um atrito diplomático. O governo de Chisinau contesta o plano do Kremlin de abrir 15 seções eleitorais para cidadãos russos no território.
A região se separou da Moldávia em 1990, no fim da União Soviética. Moscou argumenta que os 220 mil moradores de lá têm passaporte russo e, portanto, direito a voto.
O episódio soma-se a outros atritos recentes entre Moscou e o Ocidente, como o confisco de ativos da Nestlé e de outros dois grupos franceses pelo Kremlin, retaliação a sanções internacionais.
O tema da interferência eleitoral externa também está no radar brasileiro às vésperas do pleito de outubro, embora por um motivo diferente.
Um relatório da Abin elevou a nível crítico o risco de pressão do governo Trump sobre as eleições de 2026 no Brasil, documento enviado a Lula e ao TSE no fim de agosto.
Os casos não têm relação direta entre si, mas mostram que a segurança do processo eleitoral segue como preocupação declarada de governos em pontos distintos do mundo.
O que acontece agora
A votação na Rússia segue até domingo (20), quando as seções eleitorais fecham. A apuração final deve confirmar a maioria do Rússia Unida na Duma.
A CEC ainda não divulgou balanço consolidado dos ataques cibernéticos nem indicou se pretende abrir investigação formal sobre a origem das tentativas de sabotagem.





























