Indivíduos, empresas e instituições no Brasil com conexão ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) podem sofrer novas sanções dos Estados Unidos nas próximas semanas, segundo a Folha de S.Paulo. A Casa Branca cobrou do Brasil "medidas agressivas" contra as facções.
As sanções podem recair sobre indivíduos, empresas ou instituições, inclusive com atuação política, ligados às facções. O esforço de monitoramento tem apoio do Tesouro, da Justiça e do FBI dos Estados Unidos, segundo autoridades ouvidas pela Folha sob anonimato.
Investigadores rastreiam o caminho do dinheiro do PCC e do CV em território americano e cruzam dados para identificar conexões locais no Brasil.
No documento enviado ao Congresso na terça-feira (15/9), a Casa Branca disse que as facções "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína" e representam ameaça crescente à segurança internacional.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu as críticas na quarta-feira (16/9). Em nota, disse que a gestão Trump ignora iniciativas brasileiras e a cooperação já existente entre os dois países.
O texto do ministério afirma que o Brasil vai seguir atuando "de forma soberana e coordenada" no enfrentamento das facções. Nos bastidores, a percepção é de que a posição americana tem caráter político-eleitoral.
O ministério também destacou que o Brasil não consta na lista de 23 países classificados pelos EUA como grandes produtores ou rota de trânsito de drogas, e citou a Lei Antifacção e o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançados em março e maio.
O que os EUA já fizeram contra as facções
Em julho, os Estados Unidos já haviam sancionado dois brasileiros e quatro empresas, três delas em São Paulo e uma portuguesa, por um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
A designação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, anunciada em maio, ampliou os instrumentos dos EUA para bloquear ativos e punir quem mantém relação com as facções.
O que acontece agora
A lista de alvos das novas sanções ainda não foi divulgada, mas o Tesouro americano deve publicá-la nas próximas semanas, segundo as autoridades ouvidas pela Folha. O governo brasileiro segue analisando o relatório enviado pelos EUA ao Congresso.
A pressão americana ganha mais uma frente com a chegada de drones dos EUA à América do Sul, movimentação que já alimenta temor de espionagem no Brasil.
O caso ocorre na mesma semana em que o presidente Lula (PT) prepara discurso na ONU criticando, sem citar nomes, o Escudo das Américas dos EUA na terça-feira (22).






























