O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (18) um pacote de sanções contra a Rússia, aprovado pelo Congresso na quarta (16). A lei mira Putin e os setores russos de energia e defesa, com tarifas de até 100% a compradores de petróleo.

A legislação, batizada de Lei Lindsay O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026, foi aprovada pela Câmara por 262 votos a 159. O texto também mira a frota fantasma, os navios-tanque que a Rússia usa para driblar sanções.

A lei ainda proíbe cidadãos e empresas dos Estados Unidos de investir na Rússia ou comprar dívida soberana russa, e impede que títulos ligados ao governo russo sejam negociados nas bolsas americanas.

Pela regra, os cinco maiores compradores de petróleo ou gás russo podem ser taxados em até 100% ao exportar para os Estados Unidos, caso façam novas aquisições em até 30 dias.

Na prática, a medida mira China e Índia, hoje os maiores destinos do petróleo russo. Trump também recebeu poder para suspender ou cancelar qualquer uma das sanções.

A decisão de acionar as tarifas mais altas, portanto, fica nas mãos dele, sozinho.

As sanções estão na categoria de ações hostis, e naturalmente qualquer imposição de sanções adicionais pelos Estados Unidos irá certamente complicar os esforços para chegar a um acordo de paz na Ucrânia

A frase é do porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, dita ainda antes da sanção ser assinada, logo após a aprovação na Câmara. Horas depois daquela votação, a Rússia bombardeou Kiev e outras sete regiões da Ucrânia.

Do lado ucraniano, o presidente Volodimir Zelenski havia proposto, dias antes, uma trégua à Rússia para proteger grãos e energia. Zelenski agradeceu aos parlamentares americanos pela aprovação do pacote de sanções.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, o maior efeito recai sobre o diesel. A Rússia forneceu 63% do combustível importado pelo país em 2026, ante menos de 1% antes da guerra, e hoje responde por quase 20% de todo o diesel consumido no Brasil.

Apesar do volume, a lei recém-assinada tem efeito limitado sobre esse fluxo específico. Putin baniu as exportações russas de diesel em julho e prorrogou a medida até 2027, em meio a uma crise de abastecimento provocada por ataques ucranianos a refinarias no país.

Os ataques às refinarias, que Trump já cobrou de Zelensky que cessassem, vinham reduzindo o volume de diesel disponível a compradores como o Brasil. O país, porém, não está entre os cinco maiores compradores de petróleo bruto russo, alvo principal da nova tarifa.

A Índia afirmou nesta semana que vai continuar comprando petróleo russo "por meio de fontes diversificadas".

O que acontece agora

A partir da promulgação desta sexta, Trump tem até 30 dias para decidir se aplica as tarifas aos países que comprarem petróleo ou gás russo a partir de agora, ou que figurem entre os cinco maiores importadores do produto.

Xi Jinping, líder chinês, deve se encontrar com Trump na próxima semana, dias depois de o americano ter proposto uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia.

A decisão sobre taxar ou não os dois maiores compradores de petróleo russo é do próprio presidente americano, que pode suspender as medidas a qualquer momento.