O volume de petróleo, carga e GNL que passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas atingiu o nível mais alto em seis meses, informou neste sábado (19) o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). O Irã não exportou pela via desde julho.
Segundo o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, as forças armadas americanas ajudaram a transportar mais de 1 bilhão de barris de petróleo pelo estreito nos últimos dois meses. Os militares dos EUA também protegeram mais de 2 mil navios comerciais que passaram pela rota.
Estamos trabalhando com todos os parceiros da região, reforçando suas defesas aéreas, formando uma nova unidade de coalizão de drones de ataque e mantendo o Estreito de Ormuz e as águas adjacentes abertos e livres de ameaças.
A declaração de Cooper foi publicada pelo Centcom na rede social X.
Por que o Estreito de Ormuz voltou a fluir?
O fluxo cresce depois de uma operação naval dos EUA, anunciada em 27 de agosto, para retirar minas marítimas iranianas das rotas de trânsito do estreito. A força reuniu mais de 20 navios de guerra e cerca de 50 mil militares no bloqueio ao Irã.
Cooper chamou a operação de “desafiadora e perigosa”, mas afirmou que os corredores reconhecidos de navegação já estavam livres de minas. O regime iraniano contestou a versão americana na época.
Teerã condiciona a reabertura plena do estreito à aceitação, por Washington, de seis exigências que já apresentou aos EUA.
Não é a primeira vez que o Centcom declara a rota livre. Em julho, o comando já havia negado que o Irã controlasse o estreito.
Em março, o próprio Irã havia fechado o Estreito de Ormuz, o que obrigou a Arábia Saudita a escoar parte do petróleo pelo oleoduto Leste-Oeste, entre os campos de Abqaiq e o porto de Yanbu.
O que isso muda no bolso do brasileiro
O petróleo Brent, referência internacional, chegou a US$ 107,63 o barril em 10 de setembro, alta puxada pela escalada no Oriente Médio. Uma semana antes, já havia subido cerca de 8%.
A Petrobras reajustou o diesel em R$ 1 por litro nas refinarias em 17 de setembro, e a gasolina, em R$ 0,19, em 10 de setembro. O consumidor não sentiu o repasse porque o governo cortou impostos e ampliou subsídio no mesmo valor dos aumentos.
Mesmo assim, a gasolina brasileira segue com defasagem de 26% ante a paridade de importação, e o diesel, de 31%, segundo levantamento da Exame.
O fluxo recorde por Ormuz ainda não foi suficiente para aliviar essa conta, que segue sendo paga com dinheiro público. O alívio recente ao combustível no Brasil também tem prazo curto, ligado à recuperação de um oleoduto saudita atacado por drones.





























