A Força Aérea Brasileira começou nesta segunda-feira (12) a usar aviões KC-390 Millennium no combate aos incêndios florestais no Amazonas, estado que soma 36 municípios em emergência. Cada passagem da aeronave pode lançar até 12 mil litros de água sobre as áreas atingidas pelo fogo.

As duas aeronaves haviam sido enviadas à Base de Manaus no domingo (11) e começaram a operar nesta segunda.

A fumaça já elevou a poluição do ar a níveis graves para a saúde da população.

Como funciona o combate aéreo?

O trabalho começa antes da decolagem, com o planejamento da missão e a identificação dos focos. Durante o voo, a tripulação confere a localização das chamas e ajusta a rota para lançar a água com precisão.

Uma das duas aeronaves mobilizadas atua como cargueiro de apoio. A outra leva o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios, responsável pelos 12 mil litros por passagem.

"É uma aeronave multimissão configurável e uma das missões que ela faz é o combate a incêndios", diz o tenente-coronel aviador Daniel Souza, comandante do Esquadrão Zeus.

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Segundo Souza, o maior desafio é acompanhar focos que mudam de lugar conforme o vento e o calor. O sistema do KC-390 permite atualizar a rota em pleno voo e recalcular onde lançar a água.

A Força Aérea prevê três lançamentos por dia com a aeronave até a situação ficar sob controle. Duas equipes trabalham em cada operação: uma a bordo, outra em solo para o reabastecimento.

O apoio federal não se limita aos dois KC-390. Outras seis aeronaves reforçam o combate, parte dos 290 brigadistas e aeronaves que o governo federal já havia enviado ao estado.

O Governo de São Paulo também enviou uma força-tarefa ao Amazonas nesta segunda. Vinte e quatro bombeiros da Polícia Militar paulista atuam divididos entre combate direto às chamas e reconhecimento de áreas atingidas, com apoio de imagens térmicas para localizar pontos de calor.

A escala do problema cresceu rápido. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas teve 1.380 focos de incêndio, alta de 271% sobre os 372 registrados no mesmo período de 2025, segundo o Painel do Fogo do Censipam, do Ministério da Defesa.

Foi esse salto que levou o estado a decretar emergência nos 36 municípios atingidos.

A maioria dos focos, 1.186, ocorreu em áreas públicas. Outros 93 ficam em propriedades privadas, e 101 em áreas sem definição. Só 174 dos 1.380 focos têm relação confirmada com desmatamento; os demais não têm causa específica apontada pelo painel.

O que acontece agora

"A nossa permanência aqui vai depender da demanda da própria Força Aérea. Viemos para cá sem saber quando voltaríamos. O foco é apagar os incêndios", afirma Daniel Souza. A operação segue enquanto os focos permanecerem ativos no estado.