A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (30) João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao grupo econômico de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foragido desde o ano passado. Outras 12 pessoas também foram indiciadas.
A apuração é da Operação Quasar, da Polícia Federal de São Paulo.
Não é a primeira vez que o nome de Mansur aparece em uma investigação de grande porte. Em setembro, ele fechou a primeira delação premiada do caso Banco Master com a PGR.
Na delação, Mansur revelou que fundos da Reag ocultaram pagamento de propina de Daniel Vorcaro a autoridades públicas.
Por que um nome liga três investigações diferentes
Mansur liga três investigações porque a Reag, uma das maiores gestoras independentes do país, foi apontada como ponto de passagem de dinheiro em cada uma delas: o esquema de combustíveis do PCC, a fraude do Banco Master e agora o grupo de Beto Louco.
A Reag já havia sido um dos principais alvos da Carbono Oculto, acusada de hospedar recursos do crime em fundos sob sua gestão. A operação aponta R$ 52 bilhões movimentados pelo PCC em três fases de investigação.
Em janeiro, Mansur já havia sido alvo de busca na 2ª fase da Operação Compliance Zero, que apura o Banco Master. Ele não chegou a ser preso.
Beto Louco, por sua vez, já havia sido denunciado pelo Ministério Público por lavagem via usinas de açúcar, em outra frente da mesma investigação sobre combustíveis.
A mesma estrutura de fundos que escondeu propina de um banqueiro agora aparece ligada a um foragido investigado por sonegação em combustíveis.
A dimensão financeira por trás desse tipo de esquema é grande. Estruturas ligadas à Carbono Oculto somam cerca de R$ 30 bilhões em ativos concentrados em mais de 40 fundos de investimento, segundo levantamento da Receita Federal e órgãos parceiros.
A Receita Federal já havia constituído R$ 8,67 bilhões em créditos tributários contra pessoas e empresas apontadas no esquema.
Procurada, a defesa de Mansur, o advogado Aloisio Medeiros, informou que não vai se pronunciar. A defesa de Beto Louco também disse que não comentaria o indiciamento.
O ponto em aberto
A delação de Mansur ajudou a destravar o caso Banco Master. Fica em aberto se o indiciamento de hoje vai dar o mesmo impulso à Operação Quasar sobre o esquema de Beto Louco, ou se esse inquérito seguirá o ritmo mais lento observado até aqui.
O que acontece agora
A delação de Mansur com a PGR ainda aguarda validação do Supremo Tribunal Federal. Beto Louco segue foragido, e a Operação Quasar continua apurando os outros 12 indiciados.






























