O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (30) que avalia diariamente proibir a exportação de diesel americano. A medida preocupa o Brasil. Segundo a Abicom, 80% do diesel importado pelo país em setembro veio de refinarias dos Estados Unidos.
Trump afirmou que uma proibição "teria um impacto negativo sobre os preços da gasolina", mas poderia reduzir os custos do diesel. Ele atribuiu a alta dos preços à guerra entre Ucrânia e Rússia.
"Perdemos algumas exportações de diesel do Oriente Médio, embora estejamos restaurando essas, e perdemos as exportações de diesel da China. Portanto, são muitas interrupções", disse o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.
Wright afirmou que o governo americano espera anúncios em breve da Europa sobre novos suprimentos de diesel. A decisão final cabe ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que analisa se a restrição será total ou parcial.
Por que o Brasil é o mais vulnerável
O Brasil é o mais exposto porque depende de importação para complementar a produção interna de diesel, hoje entre 25% e 30% do consumo nacional. Segundo a Abicom, oito em cada dez litros importados em setembro vieram de refinarias americanas.
O banco Citi avalia que uma proibição deixaria o país "em uma situação delicada". O Brasil depende de uma torneira que fica nos Estados Unidos, e Washington agora estuda fechá-la.
O analista Matheus Spiess, da Empiricus, aponta a limitação de capacidade das refinarias brasileiras.
A diferença entre o preço do diesel vendido pela Petrobras e o valor de paridade de importação chegou a R$ 3,89 por litro em setembro, nível recorde no ano, segundo a Abicom.
Sergio Araújo, presidente da entidade, diz que esse patamar já torna a importação por empresas privadas economicamente inviável.
A Abicom projeta 870 mil m³ de diesel importado neste mês, dos quais 40% seriam trazidos pela própria Petrobras. As refinarias brasileiras operam perto do limite de utilização.
O governo brasileiro negocia em paralelo uma saída para o tarifaço de 37,5% imposto pelos EUA. No campo do diesel, a aposta é outra.
Uma Medida Provisória editada pelo presidente Lula em 11 de setembro prevê incentivo de R$ 1 por litro para elevar a oferta interna. A medida ainda depende de decreto do Ministério da Fazenda para valer.
O que acontece agora
Bessent segue avaliando se a restrição às exportações será total ou parcial, sem prazo anunciado. No Brasil, o decreto que regulamenta o incentivo de R$ 1 por litro segue sem data para sair do Ministério da Fazenda.
A Abicom mantém o alerta de risco de falta localizada de diesel nas próximas semanas.
A tensão se soma a outra frente aberta entre os dois países. Em agosto, Trump e Lula voltaram a conversar por telefone, o que já havia motivado a primeira rodada de alertas sobre o corte no fornecimento.
Uma semana antes, o tema já havia disparado no mercado internacional, com o Brasil entre os países mais expostos.































