O turista mexicano Carlos Hernandez Ortiz morreu na madrugada de terça-feira (29) ao tentar impedir a fuga de assaltantes na região da Pedra do Sal, no Centro do Rio. Ele subiu no capô do carro dos criminosos e caiu quando o motorista acelerou.

Segundo a Polícia Civil, a dupla simulava abraços para abordar as vítimas.

O motorista, Guilherme do Nascimento Pinto, foi preso em flagrante horas depois. Ele confessou participação no crime à polícia e disse que o grupo já havia feito outros cinco ou seis roubos parecidos.

Segundo o depoimento, cada ação rendia cerca de R$ 500 ao grupo, que chegava a roubar de oito a nove celulares por dia na região central da cidade.

Por que o caso não é isolado

O caso não é isolado. Em maio, outros seis turistas estrangeiros, entre americanos e russos, foram assaltados ao deixar a mesma Pedra do Sal, um dos pontos de samba mais procurados por visitantes no Centro do Rio.

No fim de setembro, outro turista foi dopado pelo golpe conhecido como "boa noite Cinderela" e jogado de um carro em movimento, também no Rio.

A violência no Rio tem oscilado ao longo do ano. A letalidade violenta chegou a disparar 25% em julho, após seis meses seguidos de queda, segundo dados de segurança pública do estado.

O momento é delicado para a imagem turística da cidade. O Rio registrou recorde histórico de turismo internacional em janeiro, com 289 mil visitantes estrangeiros, alta de 17% sobre o mesmo mês de 2025.

Nem todo caso recente envolvendo visitantes é de assalto. Em agosto, um helicóptero caiu na Vista Chinesa e matou o piloto e três turistas colombianas, em outro episódio que expôs riscos a visitantes na cidade.

A mesma cidade que bate recorde de visitantes estrangeiros também repete, ponto a ponto, os locais onde eles são atacados.

O ponto em aberto

Os casos de maio, setembro e agora outubro aconteceram em pontos turísticos badalados à noite. A pergunta que fica é se o policiamento nesses horários e locais mudou de um caso para o outro.

O que acontece agora

A Polícia Civil ainda procura os outros dois suspeitos do grupo que abordou Carlos. A prisão em flagrante de Guilherme foi encaminhada para conversão em preventiva.