Especialistas em geriatria afirmam que mudar hábitos depois dos 60 anos ainda traz ganhos reais de saúde e autonomia, mesmo para quem nunca se exercitou quando jovem. A avaliação marca o Dia do Idoso, celebrado nesta quinta-feira (1º) no Brasil.

"O ganho pode ser menor, mas pelo menos você vai ter força para sair da cama. Não vai precisar de alguém que te arranque de lá", afirma o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade. "Nunca é tarde demais."

O geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), coloca a atividade física entre as principais mudanças.

Segundo ele, o exercício ajuda a manter a massa muscular e a capacidade funcional, que tendem a diminuir com o envelhecimento. A recomendação é combinar exercícios de força, aeróbicos e de flexibilidade.

O aposentado Edgar Frank Walter, 81, ilustra esse efeito. Ele sempre praticou esportes, mas só depois dos 60 passou a se preocupar mais com a qualidade do envelhecimento.

Aos 80 anos, começou a cantar em um coral, depois que um maestro o convenceu a fazer um teste.

Hoje sua rotina soma seis dias de atividade física por semana: beach tennis três vezes, uma aula de tênis de quadra e dois dias de musculação, além de bridge e meditação.

"Eu sou o mais velho do grupo de beach tennis e, muitas vezes, sou o que termina menos cansado", diz. "Não adianta ser longevo e ser incapaz ou ter poucas possibilidades de fazer coisas. Eu busco muito manter a longevidade com qualidade."

Outro caso é o do aposentado Álvaro Margarido, 90 anos. Ele já se exercitava, mas incorporou o pilates há dez anos, quando ficou em São Paulo para fazer radioterapia contra um câncer de próstata.

De volta a São José dos Campos, onde vive, Álvaro combina a prática com musculação duas vezes por semana e caminhadas desde 2020.

A disciplina, segundo ele, é o que sustenta o resultado a longo prazo. "Eu tenho consciência que, se eu quero chegar aos 100 anos, tenho que me cuidar", afirma. "Às vezes eu acordo cedo com preguiça, mas eu acabo indo. Não falto nunca."

A urgência do tema aparece em outro retrato do envelhecimento no Brasil: um estudo já apontou que o país carece de estrutura para atender à população idosa.

Outro levantamento mostrou que 43% dos idosos têm medo de cair por causa de calçadas ruins, o que também trava o exercício ao ar livre.

O que acontece agora

Especialistas como Kalache defendem que a longevidade vai além de viver mais anos: o foco passa a ser viver esses anos com autonomia, o que depende de hábitos sustentados ao longo do tempo.