Depois de anos construindo robôs humanoides capazes de correr, dançar e dar cambalhotas, empresas chinesas estão investindo em um desafio diferente: a inteligência artificial que pode tornar essas máquinas úteis numa gama maior de trabalhos. O campo é chamado de IA incorporada.

Empresas chinesas do setor captaram 93,5 bilhões de yuans (cerca de US$ 13 bi) em 322 negócios no primeiro semestre de 2026, cinco vezes mais que no ano anterior, segundo a empresa de pesquisa de dados ITjuzi.

Com a concorrência reduzindo os preços do hardware, os fabricantes de robôs concluíram que a margem de lucro não vem mais da máquina, e sim do software que a ensina a agir sozinha diante de tarefas que nunca viu antes.

"A margem de lucro não virá do hardware, mas da inteligência", disse Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, sediada em Xangai.

Robô humanoide em pé ao lado de um robô-cão, em feira de tecnologia

Quem lidera a corrida por financiamento

Astribot captou mais de 1 bilhão de yuans em três meses, numa rodada Série B concluída em junho, com avaliação de mercado acima de 10 bilhões de yuans. A Spirit AI, fundada em 2024, somou cerca de 5 bilhões de yuans no mesmo período.

A Unitree Robotics, uma das maiores fabricantes de hardware, segue outro caminho: autorizou um IPO na Bolsa de Xangai, com meta de captar 4,2 bilhões de yuans emitindo mais de 40,4 milhões de novas ações.

Por que o cérebro é o novo campo de disputa

"O cérebro é, de fato, o elo mais fraco em toda a estrutura da robótica", disse Gao Yang, cofundador da Spirit AI. O setor abre uma nova frente na rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China.

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Empresas americanas, como a Nvidia, que já lançou plataforma aberta para robôs humanoides, ainda lideram em alguns sistemas avançados de IA.

Já os chineses apostam na capacidade de produção e no acesso a dados de treinamento do mundo real para desafiar os rivais americanos. No Brasil, o mesmo caminho já atrai startups: uma delas desenvolve IA para tornar robôs mais inteligentes.

Startups americanas como Physical Intelligence, Skild AI e Generalist também correm atrás de softwares que ensinem habilidades a robôs sem treinamento extenso. O país que melhor combinar IA com máquinas pode ganhar vantagem num mercado já visto como candidato a trilionário.