O contrato mais líquido do ouro fechou em alta de 0,57% nesta sexta-feira (18/9), a US$ 4.424,90 a onça-troy na Comex, e encerrou a semana com ganho de 0,36% mesmo após o Fed elevar os juros nos Estados Unidos na quarta-feira (16/9).
A prata para dezembro avançou 1,59% no mesmo pregão, a US$ 67,14 a onça-troy, com alta semanal de 3%. Uma análise do Commerzbank mostra que o ouro reage mais forte no dia do anúncio do Fed do que na divulgação da ata.
Em dias de decisão do Fed, o ouro tem efeito estimado de -0,38% para cada ponto-base de surpresa na política monetária americana, segundo o banco alemão.
"As compras expressivas por parte dos bancos centrais distorceram a relação tradicional entre os preços dos metais preciosos, as taxas de juros dos EUA e o dólar", afirma a consultoria britânica Capital Economics.
"Projetamos uma queda de quase 10% nos preços do ouro este ano, em direção ao patamar de US$ 4.000 por onça-troy", conclui a Capital Economics. A consultoria atribui o movimento à diminuição do suporte de fatores compensatórios que hoje sustentam o preço.
O que isso tem a ver com o Banco Central do Brasil
O Banco Central do Brasil encerrou março de 2026 com 172,4 toneladas de ouro em reservas, equivalente a 7,1% das reservas internacionais do país e a maior posição da América Latina, à frente do México e da Argentina.
A autoridade brasileira ampliou as compras do metal ao longo do ano para reduzir a dependência do dólar. O movimento acompanha o de outros bancos centrais emergentes e ajuda a explicar por que o ouro segue subindo mesmo com o Fed em alta.
O ouro bateu recorde de US$ 5.405 a onça-troy no fim de janeiro deste ano e caiu cerca de 26% até o início de julho, para perto de US$ 4.165. A cotação atual, de US$ 4.424,90, fica entre esses dois extremos.
A alta do Fed também derrubou o dólar e a Bolsa no Brasil nesta sexta, como mostrou matéria da TV Sim Brasil sobre a Superquarta de juros opostos entre Fed e Copom.
Outro capítulo do mercado global do ouro segue em aberto. A Venezuela negocia transferir para os Estados Unidos as reservas de ouro do banco central do país, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões.





























