A tributação é a prioridade número 1 das empresas brasileiras para o próximo governo, segundo sondagem do FGV Ibre com cerca de 4.000 empresas, obtida com exclusividade pela Folha. Para 54,2% delas, o tema deve ser atacado pelo presidente eleito em outubro.

A pesquisa foi aplicada em agosto, antes do primeiro turno, e perguntou quais deveriam ser as prioridades do próximo governo para o sucesso dos negócios. Cada empresa podia marcar até três opções de resposta.

Atrás da tributação aparecem contas públicas, redução da burocracia e infraestrutura e logística. São os três únicos outros temas citados por mais de um quarto das empresas consultadas.

O que os candidatos do 2º turno prometem sobre impostos?

Lula (PT) defende a reforma tributária como uma das bandeiras do governo: a promessa é simplificar o sistema via unificação de tributos, eliminando milhares de legislações conflitantes, com vigência integral prevista para 2033.

Flávio Bolsonaro (PL) promete, em seu programa de governo, a revisão e o redimensionamento da reforma tributária. Para ele, o texto defendido por Lula "foi entregue ao sabor dos lobbies".

O plano de Lula, por sua vez, afirma que a reforma amplia a transparência, acaba com a cumulatividade e elimina a guerra fiscal entre estados, Distrito Federal e municípios.

Por mais que se fale da reforma, os empresários ainda não estão enxergando uma solução para esse problema.

A avaliação é do economista Rodolpho Tobler, coordenador das sondagens do FGV Ibre.

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O que acontece agora?

A reforma tributária já está em vigor, mas a transição é gradual: os novos impostos sobre o consumo começam a valer em 2027, com o modelo completo só em 2033.

Apesar da proximidade da mudança, um terço das empresas ainda não avaliou o impacto da reforma no próprio negócio, segundo outro levantamento.

A Receita Federal já afirmou que não há plano de recuar na reforma, mesmo diante de eventual derrota de Lula no segundo turno.