O Senado deve votar, na quarta-feira (14), a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A votação ocorre 11 dias antes do 2º turno, disputado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).

A proposta é a PEC 221/2019, que também institui dois dias de descanso semanal remunerado. São necessários 49 votos favoráveis, em dois turnos, para aprová-la.

A primeira das cinco sessões de discussão exigidas pelo regimento já ocorreu nesta terça (6), sob a presidência de Davi Alcolumbre.

Segundo os analistas de política da CNN Jussara Soares e Caio Junqueira, o PT vê na votação uma chance de expor o PL perante o eleitorado trabalhador. Lula já tratava o fim da 6x1 como uma de suas principais bandeiras de campanha.

O partido aposta que a pauta pode pesar no voto de quem decide o 2º turno pelo salário e pela jornada de trabalho.

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A campanha de Flávio rebate a acusação. Segundo apuração da CNN, o próprio senador classificou a votação como "oportunismo eleitoral". Flávio ainda não declarou como vai votar a proposta e defende, em vez disso, um projeto alternativo de flexibilização da jornada de trabalho.

Seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, defende que a matéria só deveria ser analisada depois das eleições. Já a oposição no Senado acredita que o tema pode perder força política conforme o 2º turno se aproxima.

Como fica a disputa nos estados

Flávio chega ao 2º turno com mais força nos palanques estaduais. Ele terá aliados eleitos governador em 13 estados, contra 6 de Lula, segundo o Metrópoles. A diferença inclui estados onde a disputa pelo governo também vai a segundo turno.

Amazonas, Distrito Federal e Rio de Janeiro ficam de fora dessa conta porque candidatos ligados aos dois presidenciáveis avançaram ao 2º turno nesses estados. No Rio, Douglas Ruas (PL), apoiado por Flávio, enfrenta Eduardo Paes (PSD), aliado de Lula.

Os dois candidatos cumprem agenda de campanha nesta quarta (7). Lula se reúne com o ministro Sidônio Palmeira e com o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, no Palácio da Alvorada.

Flávio recebe a Federação União Progressista, o Novo e a bancada do PL.

As posições dos dois candidatos sobre a reforma já estavam definidas: Lula defende a implementação integral da PEC sem corte de salário, e Flávio propõe que o trabalhador escolha a própria carga horária.

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Seis confederações patronais já alertaram que a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e a inflação em 13%, segundo a Confederação Nacional do Comércio. O aviso pressiona a oposição no Senado, que já sinalizava resistência à proposta.

Enquanto isso, os dois lados seguem fechando apoios para o 2º turno. União Brasil e PP oficializaram apoio a Flávio nesta semana, e o PT negocia adesão de outras siglas a Lula.

O que acontece agora

A próxima etapa é a votação em 1º turno, prevista para quarta-feira (14) — ainda faltam mais duas sessões de discussão, marcadas para quinta (8) e a semana seguinte. Aprovada, a PEC segue para o 2º turno de votação no Senado.

Antes disso, os dois presidenciáveis também vão se encontrar no primeiro debate marcado pela Band, em 18 de outubro, data em que o tema deve voltar à tona diante das câmeras.