Um levantamento da ROIT, empresa de tecnologia tributária, mostra que 34% das médias e grandes empresas do Brasil ainda não fizeram nenhuma projeção sobre o impacto da reforma tributária no fluxo de caixa, a menos de 100 dias da mudança.

Segundo Ricardo de Holanda Janesch, vice-presidente executivo da ROIT, muitas companhias concentraram esforços na adequação tecnológica para emitir a nota fiscal. Deixaram em segundo plano a projeção dos impactos financeiros, avaliou o executivo.

Estão negligenciando em certa medida essa projeção de impactos financeiros. A gente sabe que emitir a nota é importante, os sistemas são importantes, mas entender os números, entender em que medida o fluxo de caixa será impactado, também são importantes.

Quais são os riscos de não se preparar?

Janesch apontou dois riscos principais para quem não se preparar. O primeiro é a precificação inadequada de produtos e serviços, que pode reduzir o resultado ou fazer a empresa perder mercado; o segundo é o impacto no fluxo de caixa.

Entre as empresas analisadas, 93% têm impacto negativo no capital de giro: os créditos tributários só aparecem após o pagamento inicial, e os juros altos encarecem esse intervalo.

Apenas 24% têm bases de dados completas e auditadas, o que evita cálculo errado e multas futuras.

Outro levantamento da ROIT mostra apoio político amplo ao calendário: cinco dos seis presidenciáveis e 21 dos 30 governadores que já se manifestaram defendem manter a reforma como está. O consenso político não se traduziu em preparação das empresas.

Quem ainda não escolheu o regime tributário tem prazo apertado: empresas do Simples Nacional têm até 30 de setembro para decidir. O prazo vale para quem quer mudar de regime antes da transição para o novo modelo.

A Receita Federal já tenta conter a desinformação sobre o tema: em setembro, o órgão lançou um site para desmentir fake news sobre a reforma. A iniciativa busca esclarecer dúvidas comuns sobre o novo modelo de cobrança.

Nem todas as empresas estão inertes: outras companhias já reorganizam processos internos para a mudança. O movimento mostra que o atraso não é generalizado, mas ainda deixa um terço do mercado exposto.

O que acontece agora

Janesch recomenda três prioridades: medir os impactos da reforma, higienizar a base de dados e treinar as equipes. Sem isso, alerta, entre janeiro e fevereiro de 2027 muitas empresas vão precisar de mais dinheiro em caixa "e provavelmente vão ter uma surpresa negativa".