O Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou duas ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite deste sábado (3) pedindo a remoção de vídeos falsos. Um associa o fechamento das embaixadas dos EUA e da Austrália a um golpe; o outro revive uma fraude em urnas.

Segundo o TSE, as ações miram conteúdos que tentam descredibilizar o processo eleitoral em curso, horas antes da abertura das urnas neste domingo (4).

Sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral, com ministros sentados na bancada
Sessão plenária do TSE, em imagem de arquivo do tribunal (Foto: O Tribunal da Democracia/Wikimedia Commons)

O que motivou a primeira ação

A primeira ação mira posts no Facebook de cinco candidatos a deputado federal e estadual, além de um post no X. Segundo o MPE, as publicações associam o fechamento das embaixadas a ameaças terroristas e a um risco de golpe, sem nenhum respaldo fático.

Os dois países fecharam suas sedes diplomáticas na sexta-feira (2), afetando escritórios em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. A Austrália já havia fechado sua embaixada em Brasília após alerta dos EUA.

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A representação americana atribuiu a suspensão a "preocupações com a segurança", e a embaixada australiana citou uma "ameaça mundial" de ataques terroristas. Nenhum dos dois motivos tem relação declarada com o processo eleitoral brasileiro.

O MPE pediu a remoção imediata do material e a aplicação de multas tanto aos responsáveis pelas publicações quanto às plataformas que não as retirarem do ar.

O vídeo de 2018 que voltou a circular

A segunda ação trata do retorno, pelo WhatsApp, de um vídeo falso originalmente divulgado em 2018. Nele, um suposto policial militar diz ter sido acionado pelo TSE para conferir a chave de uma urna eletrônica.

Segundo o vídeo, o aparelho indicava ter votos registrados em vez de estar zerado, numa checagem que nunca ocorreu dessa forma. O MPE classifica a narrativa como totalmente inverídica e já desmentida por agências de checagem.

A representação argumenta que o conteúdo visa gerar desconfiança no eleitorado e pede liminar para que o WhatsApp impeça a circulação do vídeo. Para o MPE, a conduta não tem amparo na liberdade de expressão.

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Não é a primeira vez que o TSE enfrenta esse tipo de conteúdo em volume. Somente em 2016, o tribunal atuou em 2,6 mil ações relacionadas a fatos inverídicos durante a eleição daquele ano.

O que acontece agora

As duas ações aguardam decisão do TSE sobre os pedidos de liminar, que incluem remoção de conteúdo e multa. A auditoria das urnas eletrônicas deste domingo é um dos mecanismos que a Justiça Eleitoral usa para atestar a segurança do sistema questionado pelo vídeo.

Mais cedo, o TSE já havia confirmado a normalidade da votação após trocar 1.212 urnas por falhas técnicas identificadas ao longo do dia.