A Rússia enviará nesta quinta-feira (22) seu primeiro carregamento de diesel aos Estados Unidos, após acordo entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump. O vice-premiê russo Alexander Novak diz que o navio leva 40 mil toneladas métricas do combustível.
"Outros carregamentos virão, naturalmente. Foram firmados acordos entre os dois líderes. Atenderemos às necessidades dos Estados Unidos, na medida de nossas possibilidades", disse Novak, segundo a agência russa RIA.
Trump afirmou que a Rússia exportaria de imediato 300 mil toneladas de diesel, o equivalente a 2,25 milhões de barris, seguidas por 500 mil toneladas em novembro. O presidente americano já previu queda no diesel quando Putin autorizou as exportações, no início do mês.
O acordo nasceu depois que a China suspendeu, em 9 de outubro, a proibição que ela mesma impunha às exportações de diesel russo, medida adotada para enfrentar a escassez interna provocada por ataques de drones ucranianos a refinarias.
Putin afirmou que os preços globais do diesel caíram entre 5% e 6% desde que o acordo foi formalizado.
O entendimento já provocou atrito diplomático. Segundo a CNN Brasil, a aproximação entre Washington e Moscou no comércio de diesel azedou as relações entre os Estados Unidos e a Ucrânia.
O que muda no preço do diesel no Brasil?
O preço do diesel no Brasil tende a sentir o movimento do mercado internacional: o combustível importado chegou a 30% da oferta em janeiro e fevereiro, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), caindo para 19% em março.
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Ao todo, o país comprou 9,6 bilhões de litros de diesel no exterior entre janeiro e agosto.
O Brasil já foi classificado como o segundo maior comprador do diesel russo do mundo. A suspensão russa às exportações chegou a provocar aperto no mercado brasileiro em outubro.
Além da Petrobras, outras distribuidoras também trazem diesel de fora: Ipiranga, Vibra e Raízen compraram no exterior no mesmo período, enquanto a estatal foi a maior importadora isolada e ficou sem compras externas entre abril e junho, retomando os embarques em julho.
O retrato mostra que a oferta de diesel no Brasil já é diversificada. Qualquer variação no preço do combustível, como a que o acordo Rússia-EUA promete provocar, chega ao custo que cada uma dessas empresas paga para trazer o diesel ao país.
Em outubro, a liberação do diesel russo por Trump já havia sido apontada como fator capaz de baixar o preço no Brasil.
O que acontece agora
Putin afirmou que os primeiros navios-tanque russos partem num intervalo de dois a três dias e outras embarcações seguirão uma após a outra, até completar o volume prometido a Trump.
O presidente americano prevê 1 milhão de toneladas "logo na sequência" — volume que se soma aos 300 mil de imediato e às 500 mil de novembro já anunciadas.
Putin disse ainda que a Rússia pode fornecer fertilizantes em "grandes quantidades" aos americanos, sinal de que o acordo pode crescer além do diesel nas próximas semanas.































