O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao 2º turno contra Lula (PT), tem quatro eixos registrados no TSE: redução de despesas, mudança das regras fiscais, corte de impostos e mais espaço para o setor privado. O documento não fixa valores.

Na campanha, porém, o candidato passou a detalhar medidas com mais precisão do que consta no documento oficial. O plano ao TSE inclui redução do número de Ministérios e reforma administrativa. Também prevê um novo Programa Nacional de Desestatização e revisão de normas regulatórias.

O ajuste fiscal tem valor?

Não no documento resumido pelo TSE, que fala em equilíbrio fiscal sem citar um corte nominal. Na campanha, porém, integrantes da equipe passaram a falar em um ajuste equivalente a 1,5% a 2% do PIB.

Reportagens apontaram estudos para reduzir despesas em até R$ 250 bilhões, incluindo discussões sobre regras de correção de gastos obrigatórios. A campanha nega que pretenda cortar benefícios sociais ou desvincular aposentadorias do salário mínimo.

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Adolfo Sachsida, do núcleo econômico da campanha, afirmou que a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa não serão privatizados, e que o Bolsa Família e o BPC serão mantidos.

Segundo ele, o ajuste viria da redução da estrutura do governo, da revisão de despesas e da reforma administrativa. O programa do TSE prevê um Programa Nacional de Desestatização, mas não lista essas três estatais entre os ativos a vender.

O que muda na reforma tributária

A revisão da reforma tributária ganhou espaço mais recentemente na campanha. Flávio critica a alíquota do novo IVA e quer rever pontos aprovados no governo Lula, incluindo impostos sobre exportação de petróleo, mudanças no IOF e a tributação de dividendos.

"Um eventual governo Flávio pretende acabar com o split payment", afirmou a assessora econômica Daniella Marques. Segundo ela, o mecanismo, que separa automaticamente impostos em operações comerciais, prejudica o capital de giro das empresas.

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O que dizem os críticos

Nem todos concordam com as contas do candidato. O ex-secretário do Tesouro Gilberto Durigan chamou o ajuste fiscal de Flávio de uma "ilusão barata e vazia", em entrevista publicada na semana passada.

O ex-presidente do BC Henrique Meirelles chamou as agendas dos dois candidatos de fracas.

Fora do eixo fiscal, a campanha também promete aliviar dívidas de famílias, tema que a TV Sim Brasil já detalhou ao comparar os planos de Lula e Flávio para os 84 milhões de negativados do país.