O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles afirma que as agendas econômicas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) são "muito fracas" e não permitem saber o que cada um fará se eleito. A avaliação foi dada ao Estadão.

Lula e Flávio disputam o 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Para Meirelles, nenhum dos dois apresentou um programa econômico claro durante a campanha.

Segundo Meirelles, o Brasil vive uma "estabilidade no baixo crescimento", com inflação ligeiramente acima da meta e excesso de gastos públicos, sobretudo em programas sociais. Para ele, a prioridade do próximo governo deveria ser o controle dessas despesas.

Questionado sobre qual candidato tem proposta mais próxima do que considera necessário, Meirelles respondeu que não dá para saber.

É difícil dizer isso porque a agenda econômica divulgada dos 2 candidatos é muito fraca. Não dá muito para se chegar à conclusão do que, de fato, cada candidato vai fazer.

O que as propostas dos dois candidatos dizem?

Apesar da crítica de Meirelles, os dois candidatos registraram propostas distintas. Lula defende a continuidade do atual arcabouço fiscal e a consolidação da reforma tributária já aprovada, com atuação mais ativa do Estado para estimular o crescimento.

Flávio propõe revisar a reforma tributária, reduzir o Imposto sobre Valor Agregado e criar regras de controle de gastos discricionários nos três Poderes, apostando no setor privado como motor do crescimento.

As duas agendas, tratadas por Meirelles como vagas, já indicam, pelo menos, posições opostas sobre o tamanho do Estado na economia.

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O mercado financeiro já deu um sinal de preferência. O Ibovespa fechou em 207 mil pontos na segunda-feira (5), recorde que, segundo Meirelles, somou cerca de R$ 500 bilhões em valor de mercado para as empresas listadas.

O índice já vinha de recordes sucessivos às vésperas da eleição. Para Meirelles, isso mostra que o mercado tem expectativa melhor em relação a um candidato, mas pondera que o termo inclui "milhões de empresas e pessoas" tomando decisões por critério financeiro, não ideológico.

Meirelles também classificou o resultado do 1º turno como uma "guinada à direita inédita" no Brasil, fenômeno que, segundo ele, também aparece em outros países. Atribui o movimento a um "certo cansaço do eleitorado" com o governo Lula.

O tema já era discutido em análise sobre os desafios econômicos do próximo presidente, publicada antes do primeiro turno.

O que acontece agora

O segundo turno ocorre em 25 de outubro. Até lá, Lula e Flávio devem detalhar ainda mais suas propostas de governo, área em que Meirelles considera que nenhum dos dois convenceu até aqui.