O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4 de novembro), interrompendo pela primeira vez desde março uma sequência de cinco cortes seguidos, cada um de 0,25 ponto percentual, segundo o mercado financeiro.

A decisão reflete piora no cenário de preços. O Boletim Focus do Banco Central projeta inflação de 5,22% neste ano e 4,6% no próximo, os dois acima do teto da meta, de 4,5%.

O IPCA-15, prévia oficial do IBGE, subiu 0,32% em outubro e acumula alta de 4,62% em 12 meses, puxado pela alimentação no domicílio, que avançou 1,01% no mês.

Qual é a série de cortes que o Copom pode travar

Desde março, o Copom cortou a Selic cinco vezes seguidas, sempre em 0,25 ponto percentual: de 15% para 14,75% em março, até os atuais 13,75% em setembro. É uma queda total de 1,25 ponto no ciclo.

Essa leitura já vinha ganhando força no mercado. Na véspera da decisão, analistas já apostavam que o Copom manteria os juros pela piora do cenário fiscal e cambial.

Um levantamento da Bloomberg com 29 economistas mostra o tamanho do consenso: 24 previam a manutenção da Selic, e só 5 ainda esperavam mais um corte de 0,25 ponto nesta reunião.

Quem ganha e quem perde com a Selic parada em 13,75%

Juros altos favorecem quem tem dinheiro em renda fixa (CDB, LCI, Tesouro Selic) e encarecem o crédito para quem toma empréstimo, financia imóvel ou usa cartão e cheque especial. A poupança também rende mais.

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Pela regra em vigor, a Selic acima de 8,5% ao ano faz a poupança render 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Esse patamar segue valendo com os juros parados em 13,75%.

Mas o corte da Selic nem sempre chega ao bolso do consumidor. Mesmo com a taxa básica em queda desde março, o juro cobrado das famílias nos empréstimos subiu no mesmo período.

O patamar atual também marca um retorno curioso. Segundo levantamento recente, a Selic está no mesmo nível de quando Lula tomou posse neste mandato.

Para o governo, a pressão por mais ajuste fiscal é exagerada. Aliados do presidente classificam a reação do mercado à reeleição de Lula como especulativa e defendem que eventuais cortes de gastos preservem os programas sociais.

Até quando dura a pausa do Copom

O Copom já avisou que o tamanho do ciclo de cortes só será definido com novas informações sobre os preços. A dúvida que fica é se a pausa é um respiro de uma reunião ou o início de um novo patamar mais alto.

A próxima reunião do Copom está marcada para 8 e 9 de dezembro.