Dois professores da Famerp, faculdade de medicina de Rio Preto (SP), entraram no ranking Stanford dos 2% cientistas mais citados do mundo, divulgado em outubro. A intensivista Suzana Lobo foi reconhecida por pesquisas sobre sepse, e o virologista Maurício Nogueira, por arboviroses.
Suzana Lobo é professora da Famerp e intensivista do Hospital de Base (Funfarme). Ela entrou na lista pela área de medicina de emergência e terapia intensiva. O estudo que a levou ao ranking avaliou investigações clínicas sobre sepse e condutas de suporte em UTIs.
"O principal benefício é que a nossa população participa da construção do conhecimento que vai orientar seu próprio cuidado. Ter pacientes daqui nos estudos ajuda a responder perguntas relevantes para as nossas UTIs", diz Suzana Lobo.
Sepse é a disfunção de órgãos com risco de vida que pode surgir quando o sistema imunológico reage de forma desregulada a uma infecção por vírus ou bactéria.
Maurício Nogueira chefia o Laboratório de Pesquisas em Virologia (LPV) da Famerp. Ele foi reconhecido pelos estudos sobre a dinâmica de transmissão de arboviroses endêmicas e epidêmicas, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A TV Sim Brasil já mostrou que pacientes de dengue atendidos pelo SUS chegam mais graves às UTIs, tema que une as duas frentes de pesquisa da dupla.
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Como funciona o ranking de Stanford?
O ranking é o Stanford/Elsevier Top 2% Scientists List, divulgado em outubro em sua nona edição. Ele cobre 20 áreas científicas e usa dados do Scopus para medir o impacto de citação dos 100 mil cientistas mais citados do mundo.
A lista separa impacto de carreira, com citações de 1996 a 2025, do impacto recente, medido só em 2025. No Brasil, o levantamento identificou 1.510 pesquisadores brasileiros entre os mais citados do mundo, na 24ª posição entre os países, atrás da Polônia.
Foram 49 pesquisadores a mais do que em 2025.
A distância para o topo mostra o tamanho do desafio. Os Estados Unidos têm quase 49 vezes o número de cientistas brasileiros na lista. Mas instituições fora do eixo das grandes universidades também aparecem, caso da Embrapa, que colocou 24 cientistas na lista.
O ponto em aberto
A Famerp não aparece entre as instituições mais citadas nas reportagens nacionais sobre o ranking de 2026, que destacam USP, Unicamp e UFMG. A presença da dupla mostra que pesquisa clínica com pacientes do SUS, longe da capital, também compete no topo da citação mundial.































