A China deve fechar 2026 com o menor volume de compras agrícolas dos Estados Unidos em sete anos, mesmo após prometer US$ 17 bilhões anuais em importações. Na soja, o Brasil ganha espaço: paga tarifa de 3% na China, contra 34% para o produto americano.
Segundo a Reuters, a Casa Branca informou em maio que Pequim concordou em comprar US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos por ano a partir de 2026, com a meta deste ano dividida proporcionalmente.
O compromisso se soma a um acordo de outubro do ano passado para a compra de soja. Entre janeiro e setembro, porém, a China comprou apenas US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas fora a soja, de carne a milho, o pior resultado desde 2019.
Não está claro se Pequim descumpre o compromisso. A Casa Branca não informou se o prazo começou a contar a partir do anúncio em maio ou só começará quando os cortes tarifários propostos pela China forem confirmados, o que ainda não ocorreu.
O Departamento de Agricultura dos EUA encaminhou perguntas sobre o cronograma ao Escritório do Representante Comercial americano (USTR). Segundo a Reuters, o USTR, a Casa Branca e o Ministério do Comércio chinês não responderam aos pedidos de comentário.
Nossos produtores são patriotas, mas há muitos silos cheios de grãos e, certamente, um desejo de ver o comércio de grãos.
"O feijão está sendo comercializado, mas outras commodities não", completou Tim Lust, diretor-executivo da National Sorghum Producers, entidade que representa produtores de sorgo nos Estados Unidos.
Por que o Brasil leva vantagem na soja?
O Brasil leva vantagem porque a soja brasileira entra na China pagando apenas 3% de tarifa básica, enquanto o produto dos Estados Unidos ainda enfrenta tributação total de 34%. A diferença sustenta a preferência chinesa mesmo com o acordo bilionário assinado por Washington.
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A China já garantiu a compra de 43,37 milhões de toneladas de soja em 2026, das quais cerca de 28 milhões vieram do Brasil e 13,73 milhões dos Estados Unidos.
Para novembro, a cobertura chinesa já soma 69%, com 2,90 milhões de toneladas contratadas dos americanos e 2,11 milhões dos brasileiros, segundo a CompreRural. A disputa entre Washington e Pequim, pensada para proteger o produtor americano, empurra o comprador chinês para o concorrente brasileiro.
O relatório da American Farm Bureau Federation projeta queda nas exportações agrícolas totais dos Estados Unidos à China para US$ 9 bilhões em 2026, o menor patamar desde o início da guerra comercial, em 2018.
Nos EUA, o resultado fraco também pesa na política interna, às vésperas das eleições de meio de mandato que elegem o Congresso na terça-feira (3 de novembro).
Para o Brasil, a disputa tem efeito oposto. As exportações do agro brasileiro bateram recorde de US$ 348,7 bilhões em meio ao tarifaço global, com a soja entre os produtos beneficiados.
Reportagem da TV Sim Brasil já mostrou que o avanço das vendas de soja dos EUA à China aperta o produtor brasileiro em períodos de pico das compras americanas.
Já em outubro, outro texto mostrava que a tarifa da soja seguia favorecendo o Brasil, apesar da retomada das compras dos EUA.
O que acontece agora
O ritmo das compras chinesas deve ficar mais claro quando a China concluir os cortes tarifários que negocia com Washington, pré-condição que pode disparar o prazo do acordo de US$ 17 bilhões.
Até lá, o USTR e a Casa Branca não esclareceram o cronograma, e produtores americanos cobram sinalização mais clara sobre quando o comércio de grãos deve de fato acelerar.































