A Petrobras elevou em 7,2% o preço médio do QAV vendido às distribuidoras, equivalente a R$ 0,45 a mais por litro. O reajuste, o 4º seguido, entrou em vigor no domingo (1º de novembro) e aperta o custo das aéreas brasileiras.
Segundo a estatal, a alta reflete a pressão das cotações internacionais do combustível, puxada pela guerra no Oriente Médio e pela redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, países em conflito.
Ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocaram restrições à navegação no golfo Pérsico, rota por onde passava cerca de 20% da oferta mundial de petróleo antes da guerra.
Na sexta-feira (30 de outubro), o petróleo Brent fechou a US$ 113 o barril.
É o quarto mês seguido de alta no QAV. A Petrobras havia cortado o preço em 14,2% em junho e 14,4% em julho. Depois, subiu o combustível em 1,9% em agosto e 13,9% em setembro, antes do reajuste de 11,7% em outubro.
O quadro não mostra um detalhe: a sequência de altas levou o QAV a acumular 90% de aumento desde 1º de março, início da guerra no Oriente Médio, segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).
Em reportagem publicada em outubro, a entidade calculava que o combustível já pesava 42% no custo operacional das aéreas. Hoje, segundo a mesma associação, a fatia já passa de 45%.
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Como o aumento chega à passagem aérea
O reajuste do QAV chega ao passageiro pelo preço da passagem aérea. Em outubro, as tarifas aéreas subiram 9,66% e contribuíram para a alta de 0,82% do índice oficial de inflação do país no mês, o IPCA, segundo o IBGE.
Antes da guerra, o combustível representava de 30% a 32% das despesas operacionais do setor. A reforma tributária deve pressionar ainda mais esse preço, com expectativa de alta de até 16% na passagem aérea.
Em agosto, a Abear informou que Latam, Gol e Azul gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto em 2026 com combustível. O gasto extra levou as aéreas a reduzir voos e tirar aviões maiores de circulação em parte do ano.
A Petrobras afirma que a fórmula de preços prevista em contrato funciona como amortecedor das oscilações de curto prazo, o que torna os reajustes no Brasil mais moderados que os praticados no exterior, onde os preços do QAV podem ser revistos diariamente.
Nesse contexto, as variações acumuladas desde o início do conflito têm sido superiores nos mercados internacionais às observadas no Brasil, indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo, informou a companhia em nota ao g1.
O que acontece agora
Os preços do QAV cobrados pela Petrobras às distribuidoras são atualizados no 1º dia de cada mês, por contrato. O próximo reajuste sai em 1º de dezembro e depende do ritmo da guerra no Oriente Médio, que levou o Brent a US$ 112 em outubro.
Os dois indicadores andam juntos. Quando o QAV sobe, a passagem aérea sobe no mesmo mês.































