A Petrobras reajustou em 11,8% o preço do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras nesta quinta-feira (1º), alta de R$ 0,66 por litro. No acumulado de 2026, o combustível já subiu 53,3%, equivalente a R$ 1,94 por litro a mais desde dezembro de 2025.
A companhia atribui o reajuste à alta das cotações internacionais do QAV, provocada pelo recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nos principais pontos de distribuição, o aumento variou: 11,6% em Guarulhos (SP), 12% em Duque de Caxias (RJ) e 11,6% em Betim (MG).
Por que esse aumento pesa tanto nas aéreas?
O combustível já responde por 42% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, segundo a Abear, ante 30% antes do conflito no Oriente Médio. Em condições normais, essa fatia já era de 40% no Brasil, contra média mundial de 27%.
Os reajustes do QAV já somaram R$ 6,3 bilhões a mais nos gastos da aviação comercial desde o início de 2026, segundo a Abear — em agosto, esse valor acumulado estava em R$ 5,2 bilhões.
Isso significa que a passagem vai ficar mais cara?
Não necessariamente de forma automática. A própria Abear reconhece que a alta do combustível não comprova um repasse direto ao preço das passagens, já que as companhias também ajustam rotas, ocupação e promoções para absorver parte do custo.
Ainda assim, a entidade estima que cada R$ 1 adicionado ao litro do QAV está associado a 225 mil passageiros transportados a menos no país, efeito que passa por reajuste de tarifas, redução de oferta de voos ou as duas coisas.
O cenário é bem diferente do início do ano: em junho, a própria Petrobras havia anunciado uma queda de 14,2% no preço do QAV, movimento que se inverteu com a escalada do conflito no Oriente Médio.
O próximo reajuste do QAV está previsto para o início de novembro, seguindo a fórmula contratual mensal da Petrobras. O setor aéreo soma essa pressão a outras já represadas para 2027, como a reforma tributária, que deve encarecer a passagem aérea em até 16%.
O ponto em aberto
A Petrobras diz que seu preço segue competitivo frente ao mercado internacional, e a Abear evita cravar que o reajuste vai parar no bolso do passageiro.
Mas os dois lados concordam num ponto: o combustível que pesava 30% da conta das aéreas antes da guerra agora pesa 42%, e ninguém, nem a estatal nem o setor, consegue dizer quando essa conta volta a cair.






























