As exportações chinesas de tecnologia limpa devem evitar a emissão de 450 milhões de toneladas de CO2 no mundo em 2026, segundo estudo do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA). O volume equivale às emissões anuais do Brasil com combustíveis fósseis.

O impacto cresceu frente aos 370 milhões de toneladas evitadas em 2025, volume já maior que as emissões do Reino Unido com combustíveis fósseis. O estudo cobre painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e baterias, tecnologias que a China passou a exportar em ritmo recorde.

Nos primeiros nove meses de 2026, a CREA registrou alta de 61% nas exportações chinesas de veículos elétricos, 45% em turbinas eólicas, 39% em baterias e 22% em equipamentos solares, na comparação com o mesmo período de 2025.

Os números mostram o tamanho do mercado que a China já domina: o país concentra as cadeias de fornecimento de painéis solares, veículos elétricos e baterias de lítio, área em que consegue produzir e exportar em volume maior do que qualquer concorrente hoje.

O que isso muda para o Brasil

O Brasil entra na conta como referência: está entre os dez maiores emissores do mundo. O volume evitado pela China em 2026 equivale a zerar, no papel, toda a pegada nacional em um ano.

A comparação chega ao consumidor brasileiro por outra porta: os carros elétricos chineses hoje representam uma fatia de 21% do mercado nacional, parte do mesmo boom de exportação que a CREA mede no relatório global.

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Por que o Sul Global pesa mais nessa conta

O Sul Global concentra a maior parte das emissões evitadas porque ampliou as importações chinesas e trocou matrizes elétricas dependentes de combustíveis fósseis por fontes limpas. Muitos desses países ficam em regiões ensolaradas, com grande potencial de geração solar ainda pouco explorado.

O próprio estudo reconhece o contraste: a China segue sendo a maior emissora de CO2 do mundo em termos absolutos. Os EUA respondem pelo maior volume por habitante e pela maior responsabilidade histórica pelo aquecimento global.

O ganho climático também supera o custo de fabricação: a CREA estima seis meses de uso para compensar as emissões da produção dos equipamentos.

O que acontece agora

A análise foi divulgada a cerca de um mês da COP31, a cúpula do clima da ONU marcada para o mês que vem, quando os números devem entrar no debate sobre financiamento e metas climáticas globais.

O Brasil também negocia com a China a venda de créditos de carbono antes do encontro, movimento paralelo ao avanço das exportações chinesas de tecnologia limpa medido pela CREA.