A dívida pública federal chegou a R$ 9,29 trilhões em agosto, alta de 0,04% sobre julho, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (28/9). A fatia da dívida atrelada à Selic bateu recorde, em 52,74%, a maior da série iniciada em 2000.

O aumento do mês veio da apropriação de juros, de R$ 88,39 bilhões, neutralizada em parte pelo resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Já a dívida mobiliária interna (DPMFi) caiu 0,05% no período.

Em julho, a parcela ligada à Selic já era recorde, com 51,11%. Em janeiro deste ano, ela estava em 49,42%. O avanço de mais de três pontos em oito meses mostra o quanto o Tesouro passou a depender de títulos de taxa flutuante.

Por que a fatia ligada à Selic preocupa?

Quanto maior a fatia ligada à Selic, mais caro fica pagar a dívida quando os juros sobem. Uma alta de 1 ponto na Selic por 12 meses soma cerca de R$ 57,3 bilhões à dívida, segundo o Banco Central.

A Selic está hoje no mesmo patamar de quando Lula tomou posse, o que ajuda a explicar por que o custo de rolar a dívida não recuou.

O Tesouro revisou sua própria expectativa. Antes, previa que essa fatia ficasse entre 46% e 50% da dívida até o fim de 2026. Agora, projeta entre 49% e 53%.

Segundo a pasta, as incertezas sobre as contas públicas e o cenário internacional levaram o governo a emitir mais títulos ligados à Selic, tendência que já vinha sendo registrada desde abril.

O que isso significa para as contas do governo?

O prazo médio da dívida subiu de 4,05 para 4,10 anos entre julho e agosto. O custo médio da dívida nos últimos 12 meses também subiu, de 12,45% para 12,59% ao ano.

A reserva de liquidez, dinheiro guardado só para pagar a dívida, caiu 11,89% no mês, para R$ 1,20 trilhão. Esse colchão garante o pagamento dos próximos 7,18 meses de vencimentos.

O ponto em aberto

O Tesouro já revisou para cima a previsão da fatia ligada à Selic neste ano. Se a Selic continuar alta por mais tempo, o custo de rolar essa dívida sobe junto. Ainda não está claro até quando o governo vai depender desses papéis.