O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira (23) que não espera grandes solavancos no câmbio com a mudança de juros no Brasil e nos Estados Unidos, após o Copom cortar a Selic e o Fed subir juros nos EUA.
A fala ocorreu em conferência do banco J. Safra, em São Paulo.
O Banco Central cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro. O Federal Reserve elevou os juros dos EUA para a faixa de 3,75% a 4,00%.
Foi o quinto corte seguido da Selic desde março, e a primeira alta do Fed desde julho de 2023.
Antes da mudança, a diferença entre a Selic e os juros dos EUA era de 10,375 pontos percentuais. Depois, caiu para 9,875 pontos percentuais.
Um diferencial de juros menor reduz, na teoria, o incentivo para o investidor trocar reais por dólares em busca de retorno maior nos Estados Unidos.
Por que Selic e Fed estão andando em direções opostas
Os cortes do Copom aconteceram num cenário de desaceleração da atividade econômica, inflação mais controlada e estabilidade cambial. O Fed, por outro lado, subiu os juros dos EUA pela primeira vez desde julho de 2023.
Segundo David, o estágio atual da política monetária brasileira, que exige juros mais altos por causa da desancoragem de expectativas, torna o real um pouco menos sensível a esse tipo de movimento do que em outros momentos.
A leitura de David reforça o que já constava da ata do Copom divulgada nesta semana, na qual o colegiado testou o mercado sobre novos cortes da Selic nos próximos meses.
Nem todo mundo vê o descompasso de juros como neutro para o mercado brasileiro. Casas de análise apontam o descompasso entre Selic e juros dos EUA como oportunidade para a Bolsa, com efeito direto sobre a atratividade de ações ligadas ao consumo interno.
O dólar fechou o pregão de 22 de setembro cotado a R$ 5,10, com queda acumulada de cerca de 7% no ano. No mesmo dia, o Ibovespa encerrou aos 187.422 pontos.
Para a corretora Ágora, o Brasil ainda mantém um dos maiores diferenciais de juros do mundo em relação aos Estados Unidos. Isso ajuda a atrair capital estrangeiro e sustenta o real, mesmo com a Selic em queda.

































