O superávit comercial do Brasil chegou a US$ 68,35 bilhões entre janeiro e outubro de 2026, alta de 36,8% sobre 2025, segundo o MDIC. O recorde chega em meio ao tarifaço dos EUA e à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo comércio exterior.
As exportações somaram US$ 305,69 bilhões no período, alta de 12%. As importações cresceram 6,5%, para US$ 237,34 bilhões.
O comércio exterior responde por cerca de 27% do PIB brasileiro, mas segue concentrado. Mais de 65% das exportações vêm de só cinco produtos: petróleo, soja, minério de ferro, milho e proteína animal.

O petróleo superou a soja como principal produto exportado em 2026. O avanço reflete o conflito no Oriente Médio, segundo o economista Carlos Primo Braga, da Fundação Dom Cabral.
Ele projeta o barril tipo Brent entre US$ 100 e US$ 110 em 2027.
A tensão geopolítica favorece as contas externas, mas pressiona o subsídio a combustíveis no mercado interno.
A China segue como principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos, da Argentina e da Índia.
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Nenhum dos dois candidatos ao 2º turno propõe romper com o parceiro asiático. Flávio Bolsonaro defende diplomacia mais próxima dos EUA, mas sinaliza manter negociações com a China. O comércio bilateral não se substitui da noite para o dia, segundo a CNN Brasil.
Como o governo tenta compensar quem perde com o tarifaço?
O governo compensa parte do impacto das tarifas dos EUA pelo Plano Brasil Soberano, que já soma R$ 59,5 bilhões em crédito a exportadores afetados. Uma nova fase, com R$ 22,6 bi disponíveis, está aberta desde 18 de setembro.
A nova fase do programa é financiada com R$ 9,1 bi do BNDES e R$ 13,5 bi do Tesouro Nacional. O plano cobre setores sob as Seções 232 e 301 dos EUA, como aço, alumínio, automotivo, madeira, calçados e máquinas.
José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende condições de crédito mais favoráveis para compensar parte das perdas das empresas do setor.
O impacto já aparece nos números: as vendas do agro brasileiro aos EUA caíram 17,8% sob as novas tarifas.
O que Lula e Flávio propõem para o comércio exterior?
Lula promete diversificar os destinos das exportações e cita a abertura de 656 novos mercados para produtos agrícolas durante o mandato atual. O petista defende manter o Brasil Soberano e aprofundar o Mercosul como plataforma regional.
Flávio Bolsonaro propõe abertura comercial, acesso facilitado a bens de capital e tecnologia, e fim gradual do IOF sobre câmbio. O candidato já responsabilizou o governo Lula pelas tensões com os EUA e defende maior proximidade com americanos e israelenses.
O que acontece agora
O Brasil só deve receber uma proposta formal dos EUA sobre o tarifaço em novembro, já sob o novo governo. Até lá, o crédito do Brasil Soberano segue aberto a quem perder ao menos 1% do faturamento com as tarifas.





























